conecte-se conosco


Economia

Contrata-se: quais setores estão gerando empregos no Brasil

Publicado

IstoÉ


Caio Gandra contratado pela Alt.Bank arrow-options
MARCO ANKOSQUI/Isto É

DESENVOLVEDOR DE MOBILE Caio Granda, contratado pela Alt.Bank: “Me sinto privilegiado por ter sido empregado em uma fintech com proposta inovadora e missão social”

Com a aprovação parcial da Reforma da Previdência, a atenção se volta para ações concretas que possam retomar a atividade econômica, que ainda patina e impede a expansão dos empregos, a face mais visível da crise.

Mas há boas notícias para quem procura uma colocação mesmo em um momento difícil, como o atual. Existem atualmente áreas com carência de profissionais por deficiências históricas — como o segmento de saúde —, e outras que estão em transformação por causa de novas tecnologias — como marketing e finanças.

Veja também: Quase metade das pessoas não passa do período de experiência no 1° emprego

Além disso, um novo cenário se desenha para o mercado de trabalho. A busca das companhias por maior produtividade será desafiadora para os profissionais, mas também pode trazer oportunidades .

Enquanto o futuro se descortina no horizonte, as empresas que lidam diretamente com recrutamento detectam aumento na procura por profissionais. A Catho, que conta com um dos maiores sites de classificados de empregos do País, confirma o aumento nas vagas.

“A partir de 2018, depois de alguns anos de quebra, as contratações voltaram a aumentar. Registramos um aumento de 5% neste ano”, diz o CEO Fernando Morette. As regiões Sul (7%) e Sudeste (6%) puxam o aumento de posições ofertadas entre janeiro e maio, na comparação com mesmo período do ano passado, segundo a Catho. Agropecuária é o setor que mais cresceu, seguida de construção e serviços.

A boa notícia é confirmada pelos números oficiais. Ainda que a alta taxa de desemprego (12,3%) atinja 13 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, foram criados 474 mil empregos formais nos últimos 12 meses no País, de acordo com o Caged.

O maior avanço em postos se deu no Sudeste (227 mil), e proporcionalmente o maior crescimento ocorreu no Centro-Oeste (+1,93%) e no Sul (+1,48%). “O mercado é um organismo que responde às demandas da sociedade”, diz Ricardo Basaglia, diretor geral da companhia de recrutamento Michael Page.

Leia mais: Reforma da Previdência não é “cura de todos os males”, diz Mourão

Para ele, a tecnologia vem transformando todas as funções, e não só as ultraqualificadas. Um exemplo é a saúde , que passa por um momento de consolidação na gestão de hospitais, laboratórios e equipamentos médicos. Outro é o varejo, em que o ambiente digital era um diferencial, e hoje passou a ser uma questão de sobrevivência. A era do marketing offline também ficou para trás.

As mudanças ocorrem em várias áreas. “As multinacionais acham que é fácil contratar por causa da grande base de desempregados. Mas a resposta não está ligada aos números. A qualificação da mão de obra não aconteceu. Quando começou a retomada, os mesmos problemas de antes da crise voltaram”, diz Raphael Falcão, diretor da Hays, empresa de recrutamento e seleção que atua em 33 países.

Veja Também:  O dinheiro Acabou. E agora?

Mais: Nova MP da Liberdade Econômica promete “reduzir burocracia”

“O ponto positivo é que o mercado de forma geral está mais aberto. É o que acontece com tecnologia, em que se busca um perfil comportamental adequado, e não só técnico.” Segundo ele, o Rio de Janeiro está vivendo um “boom” de petróleo e gás. Em São Paulo, há uma demanda enorme para profissionais bem formados com conhecimento de marketing, principalmente de ferramentas digitais.

“Outra área de destaque é o RH, que precisa orquestrar os novos profissionais. Não existem mais os longos ciclos das marcas nas empresas. O RH é peça fundamental para catalisar a mudança da sociedade, como diversidade. É o primeiro a ser impactado. Deixa de ser assistencialista e precisa ter visão de performance.”

Michele Nicoleti arrow-options
MARCO ANKOSQUI/Isto É

MÍDIA COMERCIAL E OPERAÇÕES Michele Nicoleti, 38, reconquistou o emprego na PSAFE Tecnologia. “A empresa ia sair do Brasil, mas a partir da minha atuação voltou atrás”


Agronegócio e tecnologia

No agronegócio, o Centro-Oeste registrou um aumento no número de empregos de 11,2% entre 2012 e 2018, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq-USP. Há uma oferta crescente nesse setor, que está espalhado por muitas atividades e municípios do interior, diz José Pastore, professor da FEA-USP e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP.

“O agronegócio está diminuindo a geração de empregos diretos, porém está estimulando uma franja de empregos de comércio e serviços”, afirma. “O crescimento do PIB das cidades do interior que têm agronegócio pujante foi bem acima da média nacional e das regiões metropolitanas.”

Ester Magalhães arrow-options
MARCO ANKOSQUI/Isto É

CUSTOMER SERVICE REPRESENTATIVE Ester Magalhães, 29, foi contratada na Eureka. “Insisti para atuar em negociação, que tem a ver com minha formação (RI)”


Tecnologia da informação (TI) é um dos principais segmentos com falta de profissionais . O setor abriu 43 mil vagas em 2018 e deve gerar 70 mil postos por ano, mas há apenas 46 mil formados anuais na área, segundo a Brasscom, associação das Empresas de TI e Comunicação.

Um dos polos de crescimento é Santa Catarina, que tem o maior índice de startups por habitantes do país. São mais de mil vagas disponíveis nas cidades de Florianópolis, Joinville, Blumenau e Criciúma, segundo a plataforma Nift. A perspectiva é de expansão, segundo Daniel Leipnitz, presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).

Ele diz que é necessário buscar profissionais de outras regiões e até do exterior para servir as 12 mil empresas de tecnologia e startups locais. Uma delas é a Serasa Consumidor, fintech da Serasa Experian, que dobrou de tamanho nos últimos três anos e pretende chegar a 250 postos até dezembro, segundo o gerente sênior Giresse Contini. Sua unidade de Blumenau tem 32 oportunidades.

Outro polo é Recife. Lá, o Porto Digital, um centro de inovação que reúne 320 startups e empresas de diferentes portes — incluindo Microsoft, OI, Samsung, HP e Motorola — tem nesse momento 800 vagas abertas para profissionais de TI.

Veja Também:  Café tem baixa no preço nesta segunda-feira

Como há dificuldade em preencher as posições, foi feita uma parceria com o Centro Universitário Tiradentes (Unit) e a Fundação Dom Cabral, entre outros, para capacitar mão de obra. Só em 2020, estão previstas 2 mil novas vagas. 

A Accenture, multinacional de consultoria e gestão, é uma das companhias instaladas no local. Tem 2,5 mil funcionários no Porto Digital e quer chegar a 3 mil até o final de 2019. A companhia afirma que a operação local será dobrada dentro de dois anos.

Carolina Burilli Emprego arrow-options
MARCO ANKOSQUI/Isto É

ATENDIMENTO Carolina Burilli, 19, contratada pela Singu. “Batalhei muito. Sem curso superior, as chances diminuem”


Indústria

As montadoras — que representam o segmento com a maior cadeia industrial — estão em processo de retomada , após a crise. A Volkswagen é um exemplo. Está em meio à maior ofensiva de produtos de sua história, com 20 lançamentos até 2020.

Sua fábrica de São José dos Pinhais (PR) recebeu R$ 2 bilhões para fazer o primeiro SUV nacional. Foram contratadas 60 pessoas e o segundo turno de produção da unidade foi retomado, depois de uma suspensão de 18 meses.

Veja: PIB recua 0,8% no trimestre finalizado em maio, diz FGV

Com isso, 500 empregados que estavam em layoff (suspensão temporária) retornaram ao trabalho. “A renovação completa da linha de produtos está fortemente apoiada na nova estratégia de regionalização”, diz Marcellus Puig, vice-presidente de Recursos Humanos.

O aumento nas vagas também foi sentido no Centro de Integração Empresa Escola, o CIEE, que faz o meio de campo entre as empresas e os jovens que buscam o primeiro emprego . Marcelo Gallo, Superintendente Nacional de Operações, diz que as ofertas cresceram 10% nos primeiros quatro meses desse ano em comparação a 2018 — para 190 mil.

“Nos programas de estágio e aprendizagem o número de contratados subiu 5%, para 159 mil. Em alguns casos, o jovem aprendiz é o único que tem carteira assinada na família. Geralmente empregamos 30 mil pessoas por mês.”

A falta de qualificação dos candidatos ainda é um problema. É o que aponta a Prefeitura de São Paulo, que tem 24 Centros de Apoio ao Trabalho e dá mais de um milhão de atendimentos por ano.

“Às vezes temos vagas que carecem de profissionais com conhecimento técnico. Quando não encontramos essas pessoas, mesmo sem formação no ensino médio, a posição fica aberta”, afirma Aline Cardoso, secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do município. “Há 4 mil vagas. Profissionais acreditam que só temos postos para pessoas com escolaridade baixa, mas não é verdade.”

Empresas geradas pela economia disruptiva, como Uber, Rappi e outras, estão absorvendo uma grande parte dos que não conseguem colocação em suas áreas de origem. “Essas novas formas de trabalhar estão incorporando profissionais de todos os níveis, mas não se pode dizer que estão contribuindo para reduzir o desemprego”, diz Pastore.

Com a crise, já chega a quase 18 milhões o número de brasileiros que ganham dinheiro por meio de aplicativos, segundo o Instituto Locomotiva. Para a Fipe, eles levaram a um número maior nos serviços de entregas nas grandes cidades e ampliaram as oportunidades de trabalho e geração de renda.

Isso beneficia empreendedores individuais e empresas, incluindo startups, que podem disputar espaço com companhias já estabelecidas, criando a reboque novos empregos formais para segmentos menos favorecidos. O cenário de empregos abundantes ainda está distante , mas os exemplos acima demonstram que oportunidades existem — e podem ser alcançadas.

Fonte: IG Economia
Comentários Facebook
publicidade

Economia

Os jatinhos da discórdia

Publicado

source
Luciano Huck arrow-options
Divulgação

O apresentador Luciano Huck acusado de ter comprado um avião a prazo

Apenas a hipocrisia, a má fé, a mediocridade ou a combinação de tudo isso são capazes de explicar o barulho feito em torno dos financiamentos de jatos executivos da Embraer, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a algumas das empresas mais vistosas do país.

Veja mais: O dinheiro Acabou. E agora?

Para os críticos dessa prática, o RS$ 1,9 bilhão que o banco de fomento empregou para financiar 134 aeronaves de fabricação nacional  entre 2009 e 2014 não passaram de um aceno de generosidade feito com dinheiro do povo na direção de quem não precisava de ajuda. Será que é isso mesmo?

Por essa visão, pessoas endinheiradas como o apresentador de TV Luciano Huck, o governador de São Paulo, João Doria, e os banqueiros da família Moreira Salles, para citar apenas alguns casos, só realizaram o sonho do jatinho próprio porque receberam um empurrão do banco oficial .

Luciano Huck pegou emprestado R$17,7 mi com BNDES para comprar jatinho

Esse tipo de visão, que tem se tornado comum nesse ambiente dominado por discussões rasteiras em que o Brasil se transformou, deve encher de alegria os diretores da canadense Bombardier, fabricante do Learjet , ou da americana Cessna, produtora do Citation.

Num mercado pequeno como é o da aviação executiva, as dificuldades criadas para a Embraer se traduzem automaticamente em facilidades para esses e para os outros poucos fabricantes que há no mundo. Simples assim.

avião da embraer arrow-options
Divulgação

Embraer: em 2018, a empresa vendeu menos jatinhos do que esperava


Mentalidade tacanha

Jato executivo não é bicicleta. Quem quer uma bike, vai à loja de sua preferência, escolhe o modelo, passa o cartão e sai com a mercadoria. Com avião não é assim. Os compradores são poucos e sempre disputados pelos vendedores .

Para fechar o negócio, levam em conta aspectos que vão além do preço e da simpatia por esse ou aquele modelo. As condições de financiamento , normalmente de longo prazo, costumam ser determinantes para a tomada de decisão.

Isso mesmo. Comprar um avião, seja nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá ou mesmo no Brasil, é um negócio feito a perder de vista, com prazos de financiamento que giram em torno de dez anos.

Artigo: Os dentes novos de Feliciano

Se o BNDES teve condições de oferecer uma linha de crédito para ajudar a empresa brasileira a vender mais aviões, ótimo. Essa decisão, além de render lucro ao banco público, significou mais empregos e mais arrecadação num país que, anda cada dia mais carente dessas duas coisas.

Veja Também:  Preço do café arábica e robusta amanhece mais caro nesta sexta-feira

Mesmo assim, os negócios feitos pela Embraer no mercado interno foram criticados e isso se explica mais pelos nomes de quem adquiriu os aviões do que pelas condições objetivas do negócio. Aqui entre nós, essa mentalidade tacanha serve apenas para mostrar o quanto o Brasil está despreparado para ser um país moderno e competitivo.

Retração do mercado

Uma linha de crédito competitiva faz parte do negócio da aviação executiva assim como o carnê é fundamental para os negócios da Casa Bahia ou do Bau da Felicidade. O que muda é apenas o porte e a capacidade financeira de quem toma o crédito.

Os jatinhos vendidos no mundo, inclusive os adquiridos pelos sheiks árabes (que podem se queixar de tudo, menos de falta de dinheiro) normalmente são financiados a perder de vista. Em qualquer lugar do mundo , não são os bancos comerciais, mas as agências de fomento que estão na origem desse tipo de linha de crédito.

Atenção! A lógica do negócio nunca foi oferecer benefícios ao comprador do avião — que em qualquer país do mundo costuma ser alguém endinheirado e em condições de arcar com a dívida que assume no ato da compra.

O objetivo verdadeiro é estimular os negócios de empresas que, pela própria natureza, vendem mercadorias de alto valor agregado, oferecem empregos em larga escala e são grandes arrecadadoras de impostos.

A Embraer, que já viveu momentos melhores do que o atual, sempre mereceu ser beneficiada por esse tipo de financiamento. Como todas as empresas nacionais, a fabricante de aviões tem perdido negócios em função da crise que o país atravessa.

A empresa, que esperava vender no ano passado um total de 125 jatos executivos, fechou o ano com apenas 91 aparelhos comercializados. Parte dessa queda se explica pela retração do mercado interno e pelo fechamento da linha de crédito que o BNDES, por meio do Programa de Sustentação do Investimento, punha à disposição dos interessados.

Mau uso do dinheiro

O BNDES só emprestou dinheiro para que algumas empresas comprassem seus aviões por uma razão: elas comprovaram ter condições para fazer o negócio. Além das pessoas jurídicas de Huck e de Doria, outros nomes conhecidos figuram na lista.

O frigorífico JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, está lá. A dupla poderia ter comprado aviões em qualquer país do mundo. Mas, ao invés de gerar empregos no Canadá ou nos Estados Unidos, como fez na compra de outros aparelhos de sua frota, desta vez resolveu beneficiar, também, os empregos na Embraer. Que mal há nisso?

Veja Também:  Como ganhar dinheiro na internet? Veja dicas de um milionário do mercado digital

Fazer um negócio que gera empregos no Brasil, naturalmente, não livra Wesley e Joesley dos crimes que cometeram em seu relacionamento com as autoridades — pelos quais não terão que pagar devido ao acordo camarada que fecharam com a Procuradoria Geral da República.

Seja como for, a maioria dos 134 nomes que constam da lista não tem contas a ajustar com a sociedade. Mas, para se vingar de Luciano Huck, que andou fazendo críticas ao governo de Jair Bolsonaro , o BNDES resolveu e expô-lo por ter adquirido um avião.

E passando por cima da lei que garante o sigilo das operações bancária s, tornou pública a lista de quem obteve esse tipo de financiamento.

Condições de mercado

Junto com o nome do apresentador, outros vieram à tona. Por meio da empresa que cuida de seus interesses, chamada Vida Boa Shows e Eventos, os cantores sertanejos Victor e Léo financiaram em 96 meses um avião que custou cerca de R$ 6,5 milhões.

Victor e Léo arrow-options
Caio Duran / CDC Shows e Eventos

A dupla Victor e Léo: jatinho comprado a prazo


Desde que paguem a conta, não há problema algum nisso. Outras presenças atraem curiosidade. Entre os beneficiários dos empréstimos figura, por exemplo, a  Confederação Nacional do Transporte , CNT.

A diretoria da entidade — que, mesmo sendo de natureza privada, é financiada com dinheiro de impostos — certamente não tem necessidades de deslocamento que não possam ser supridas pelos voos de carreira.

Mas nem por isso a entidade deixou de adquirir seu próprio avião. De um modo geral, no entanto, a lista não causa espanto quando comparada à das maiores empresas do país.

A construtora MRV, a Fiat Automóveis, as Lojas Riachuelo, a mineradora CBMM e a fabricante de tratores John Deere também adquiriram aviões pelo mesmo sistema de financiamento oferecido a Luciano Huck e João Doria.

O que muda entre alguns casos e outros, são as taxas de juros (que oscilaram de 2,5% a 8,7%, dependendo das condições do mercado do momento do negócio), o prazo e o valor final que, naturalmente, depende da aeronave financiada.

Seja como for, a curiosidade despertada pela lista não deixa de ser interessante e mostra que o Brasil é mesmo um país esquisito.

Num momento em que a economia vive o pior momento da história e em que se fazem necessárias ações capazes de estimular o mercado , aparece alguém interessado em criticar uma das poucas políticas de fomento que deram certo no País.

Mas pedir bom senso para essa turma que parece se deleitar com as dificuldades do país parece cada vez mais inútil.

Fonte: IG Economia
Comentários Facebook
Continue lendo

Economia

Nova linha de crédito para a casa própria: valor final pode ficar maior

Publicado

source
Pedro Guimarães arrow-options
Palácio do Planalto/Flickr

presidente da CAIXA, Pedro Guimarães anuncia nova linha de crédito para casa própria com reajuste pela inflação

A Caixa anunciou nesta terça-feira uma nova linha de crédito para compra da casa própria reajustado pela inflação. Segundo o banco, a vantagem para o consumidor é que os juros são mais baixos do que os praticados hoje pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH). 

Os juros mais baixos, porém, não garantem, segundo o advogado e presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG, Kênio Pereira, que o valor final pago ao final do financiamento será menor.

Caixa lança financiamento da casa própria corrigido pela inflação

“Hoje o reajuste é feito pela TR, que está há mais de oito anos em praticamente zero. Já no caso do IPCA , corre o risco da parcela subir significativamente, já que os contratos são de longo prazo, de 20 a 30 anos”, alerta o advogado.

Hoje, os juros praticados nos contratos de financiamento imobiliário assinados com a Caixa ficam entre 8,75% e 9,75% ao ano mais Taxa Referencial (TR) nas suas principais linhas de crédito imobiliário, para compra de imóveis novos ou usados. A TR atualmente está zerada, ou seja, não gera, atualmente, reajuste na parcela do financiamento. 

Na nova modalidade, os juros serão a partir de 2,95% e no máximo 4,95%, com reajuste baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, o índice oficial da inflação no Brasil. A previsão é que o IPCA feche 2019 a 3,71%. A novidade pode fazer com que o reajuste do financiamento ocorra todo mês , uma vez que será recalculado mensalmente incluindo o IPCA.

Veja Também:  Preço do açúcar fica mais alto em São Paulo

Inflação

A questão é se, no longo prazo, a inflação do País ficará controlada. Para o professor de economia do Ibmec-BH, Fellipe Leroy, a pessoa que for comprar um imóvel deve considerar o risco do saldo devedor crescer descontroladamente caso a meta inflacionária não seja respeitada.

“Não é possível dizer que isso vai acontecer ou não nos próximos 20 ou 30 anos. Vai depender de termos um governo responsável. Mas temos que lembrar que o Brasil trabalha hoje com uma meta inflacionária controlada pela autoridade monetária”, pondera.

O professor ainda lembra que a TR, que é uma taxa definida pelo Banco Central, também pode mudar. “A TR pode ser alterada com uma ‘canetada’, já a meta da inflação, se não for respeitada pode colocar a economia do País  como um todo em risco˜, avalia Leroy.

Segundo o Boletim Focus, divulgado na última segunda-feira, as estimativas para o IPCA nos  próximos anos são 3,9%, em 2020, 3,75%, em 2021, e 3,5%, para 2022.

Já a meta da inflação , definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é 4,25% em 2019, 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,5% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.


Fator social e bancos

A manutenção da TR em níveis próximos de zero, segundo o advogado Kênio Pereira, estava ligado ao fator social do financiamento imobiliário.

Veja Também:  Os jatinhos da discórdia

“Tanto que é uma taxa utilizada no reajuste da poupança, do FGTS, além do crédito para compra da casa própria. Atrelar o financiamento à inflação retira esse conceito social do financiamento imobiliário e beneficia os bancos”, critica.

Crédito com garantia de imóvel pode chegar a 20% do PIB em 20 anos

Para Felipe Leroy, porém, isso não é necessariamente negativo. Na avaliação do professor, a medida traz mais segurança para o banco que oferece o crédito.

“Temos um déficit habitacional grande no País. Dar mais segurança às instituições financeiras (utilizando a inflação para reajustar os empréstimos) faz com que os juros praticados sejam reais˜, analisa.

“Isso também pode fomentar o setor da construção civil , que é importante para geração de empregos e aquecimento da economia do País”, acrescenta Leroy.

Para Kênio Pereira, após o anúncio da Caixa, os bancos privados também deverão apresentar linhas de crédito habitacional atreladas à inflação.


Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni arrow-options
Palácio do Planalto/Flickr

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni participaram da cerimônia que lançou a nova linha de crédito imobiliário da Caixa




Entenda

A nova linha de crédito anunciada nesta terça-feira e estará disponível a partir da próxima segunda-feira (26) e terá R$ 10 bilhões disponibilizados pela Caixa.

Ela pode ser utilizada para novos contratos de compra de imóveis novos e usados para até 80% do valor da compra. O prazo máximo será de 30 anos. A parcela do empréstimo não poderá ultrapassar 20% da renda do consumidor.

A modalidade será facultativa, ou seja, a Caixa deve manter as outras modalidades do SFH e o programa Minha Casa, Minha Vida, que não foi alterado pelo anúncio desta terça-feira.

Fonte: IG Economia
Comentários Facebook
Continue lendo

Economia

Devedor de pensão alimentícia não poderá fazer saque emergencial do FGTS

Publicado

source

Pais e responsáveis que pagam pensão alimentícia e estão em débito não poderão fazer o saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de até R$ 500, liberado pelo governo a partir de setembro.

Leia também: Vale a pena usar saque do FGTS para acertar contas da casa e fazer reforma?

Homens fazendo saque do FGTS arrow-options
Fábio Rodrigues Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

Pais e responsáveis que tiverem o saldo retido só poderão fazer o saque dos saldo remanescente

De acordo com a Caixa Econômica Federal, pessoas que pagam pensão alimentícia e tiveram o saldo do FGTS bloqueado pela Justiça não terão acesso ao dinheiro. Em geral, o saldo é penhorado quando o responsável está com o pagamento da pensão em atraso.

Caixa afirma que os cotistas só poderão sacar o valor limitado ao saldo remanescente, ou seja, o que sobrar do recurso retido. A consulta do saldo das contas do trabalhador também fica bloqueada no aplicativo e no site do banco. Para ter acesso, ao valor acumulado, o cotista deve procurar uma agência da Caixa.

Veja Também:  Café tem baixa no preço nesta segunda-feira

O banco não tem dados sobre o número de trabalhadores nesta situação, mas orienta que, em caso de bloqueio, o beneficiário deve se informar sobre o FGTS em uma agência.

A liberação dos saques do FGTS deve alcançar 96 milhões de trabalhadores, segundo estimativas do governo. Atualmente, há cerca de 260 milhões de contas ativas e inativas no Fundo de Garantia. Desse total, cerca de 211 milhões (80%) têm saldo de até R$ 500.

De acordo com instituição financeira, as informações sobre a adesão deste grupo ao saque- aniversário, que possibilitará a retirada anual de um percentual do Fundo, ainda estão sendo definidas. Mas é certo que quem aderir a esta retirada não poderá sacar o saldo total da conta em caso de demissão sem justa causa, levando apenas a multa rescisória de 40% paga pelo empregador.

Leia também: Mais de 11 milhões sacarão valores menores ou nada de FGTS por falta de depósito

Confira o calendário do saque emergencial

Depósito para quem tem conta poupança na Caixa:

  • Aniversário em janeiro, fevereiro, março e abril: 13 de setembro de 2019
  • Aniversário em maio, junho, julho e agosto: 27 de setembro de 2019
  • Aniversário em setembro, outubro, novembro e dezembro: 9 de outubro de 2019
Veja Também:  O dinheiro Acabou. E agora?

Para quem não tem conta poupança na Caixa:

  • Aniversário em janeiro: 19 de outubro de 2019
  • Aniversário em fevereiro: 25 de outubro de 2019
  • Aniversário em março: 8 de novembro de 2019
  • Aniversário em abril: 22 de novembro de 2019
  • Aniversário em maio: 6 de dezembro de 2019
  • Aniversário em junho: 18 de dezembro de 2019
  • Aniversário em julho: 10 de janeiro de 2020
  • Aniversário em agosto: 17 de janeiro de 2020
  • Aniversário em setembro: 24 de janeiro de 2020
  • Aniversário em outubro: 7 de fevereiro de 2020
  • Aniversário em novembro: 14 de fevereiro de 2020
  • Aniversário em dezembro: 6 de março de 2020

Fonte: IG Economia
Comentários Facebook
Continue lendo

Nova Xavantina

Policial

Política MT

Mato Grosso

Mais Lidas da Semana