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Economia

Governos liberais no Brasil e na Argentina facilitaram acordo Mercosul-UE

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IstoÉ Dinheiro

Lucas Ferraz, secretário de Comércio Exterior arrow-options
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Lucas Ferraz, secretário de Comércio Exterior, falou sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia

A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi a maior conquista do governo Bolsonaro. O texto vinha sendo negociado há vinte anos, sem perspectiva de sair do papel. Para concluir o acordo, a equipe de comércio internacional do Ministério da Economia adotou uma postura pragmática: “Fizemos uma série de modificações nos quesitos de regra de origem”, afirma Lucas Ferraz, Secretário de Comércio Exterior. Os próximos passos serão discutir uma revisão do Mercosul e acordos comerciais com o Japão e os Estados Unidos, como ele antecipa nesta entrevista.

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DINHEIRO – O acordo entre o Mercosul e a União Europeia era considerado difícil de sair do papel até pouco tempo. O que mudou?

LUCAS FERRAZ – Várias coisas aconteceram. Temos um governo na Argentina e outro no Brasil alinhados numa agenda liberal e de aumento da inserção internacional dos países do Mercosul que estava parada. Hoje, o comércio internacional é diferente do que era no século passado, onde tudo era produzido localmente e se buscava muita competitividade dos produtos. O mundo hoje é fragmentado, os produtos são “made in the world.” Além disso, há uma Europa que anseia por avançar na agenda de acordos internacionais. Não posso dizer que o acordo foi uma resposta da Europa à guerra comercial dos EUA. Sou economista, não cientista político. Mas acho natural que a Europa busque a abertura de novos mercados, e esse acordo com o Mercosul é um exemplo. A expectativa é que ele entre em vigor em cerca de um ano e meio.

DINHEIRO – Houve mudança no texto do acordo para conseguir destravá-lo?

LUCAS FERRAZ – Fizemos uma série de modificações nos quesitos de regra de origem. Inserimos o Brasil e o Mercosul num comércio mais moderno e flexibilizamos esse ponto. A Europa já é um continente muito integrado às cadeias globais de produção, então negocia acordos com regras de conteúdo local. Isso, há muitos anos, travava a conclusão desse acordo.

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DINHEIRO – Tivemos de abrir mão de alguma coisa por um ganho maior?

LUCAS FERRAZ – Não. O Brasil ganhou, o Mercosul ganhou e a União Europeia também. É importante constatar: a Europa está abrindo 100% do seu mercado para as exportações do Mercosul, enquanto o Mercosul está abrindo apenas 91%. Além disso, os produtos foram divididos em cestas de negociação. Algumas serão liberalizadas entre quatro anos e 15 anos. A Europa irá zerar as tarifas para todos os produtos agrícolas e industriais brasileiros em até 10 anos. Todas. O Mercosul, em boa parte das cestas, terá até 15 anos para isso.

DINHEIRO – Mas haverá um sistema de cotas para os produtos do Mercosul, certo?

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LUCAS FERRAZ – De fato, no setor agrícola, eles [os europeus] são muito protecionistas e colocaram algumas cotas. Consideramos, ainda assim, uma grande vitória para o nosso agronegócio. Falar de cotas sempre tem uma conotação negativa porque dá uma ideia de restrição de comércio. No caso do açúcar, serão 180 mil toneladas. Para se ter uma ideia, o nordeste, que é o maior produtor brasileiro, exportou para a União Europeia apenas 22 mil toneladas. Para carne bovina, conseguimos 99 mil toneladas. O Brasil sozinho já era responsável por 40% da carne comprada pela Europa. Isso é cerca de 7 vezes mais o que os EUA e Austrália exportam de carne bovina para o continente. O Mercosul vai responder por 82,3% de toda carne comprada pela Europa.

DINHEIRO – O Mercosul tem as maiores tarifas de importação industriais do mundo. Como isso vai ficar?

LUCAS FERRAZ – O acordo, sob o ponto de vista mais amplo, é muito balanceado e vai trazer benefícios importantes para as duas regiões. Vale ressaltar: o grande beneficiário é o consumidor brasileiro que vai ter acesso a bens mais baratos, de maior qualidade e maior variedade.

DINHEIRO – Os agricultores europeus se disseram decepcionados e classificaram o Mercosul como um bloco protecionista. Como responder a essas críticas?

LUCAS FERRAZ – Há um certo exagero. Não houve, da parte da Europa, uma abertura de 100% do mercado agrícola, na questão de tarifas. Eles vão reduzir 82% [dos impostos de importação]. O mercado europeu interno é muito grande e tem muito espaço para se vender carne. São mais de 500 milhões de consumidores. O Mercosul é uma potência agrícola, a gente sabe disso, mas quando você analisa friamente os números envolvidos, o produtor europeu não fica comprometido em nada.

DINHEIRO – Eles não têm razão em dizer que o Mercosul não é uma área de livre comércio, como a União Europeia?

LUCAS FERRAZ – A questão do Mercosul não ser uma área de livre comércio perfeita é menor. O Brasil hoje é a economia que representa mais de 80% do PIB do bloco. Somada à economia da Argentina, que também tem um peso significativo, estarão totalmente abertas ao comércio com os europeus. É um acordo que tem benefícios aos dois lados.

DINHEIRO – Por considerar o custo de produção local muito alto, a indústria brasileira teme a competição com a estrangeira…

LUCAS FERRAZ – O problema da competitividade industrial passa pelo chamado “Custo Brasil”. A reforma tributária está na agenda desse governo e será feita com a simplificação e redução de tributos. Há ainda uma agenda de melhoria da nossa infraestrutura, que atualmente também diminui a competitividade. E, sobretudo, o governo tenta regularizar os seus gastos e focar naquilo que de fato gera retorno social.

DINHEIRO – Existe um plano para aumentar a competitividade da indústria nacional?

LUCAS FERRAZ – Existe um ponto que é fundamental e pouco mencionado: o nosso próprio isolamento comercial foi um fator importante para a nossa perda de competitividade. O processo de inserção internacional da economia brasileira, em geral, vai fortalecer a competitividade. Um outro ponto é que esse acordo prevê a queda tarifária num intervalo de tempo de 15 anos para vários produtos. Portanto, há tempo mais do que suficiente para que outras reformas voltadas pra impulsionar a competitividade interna da indústria sejam implementadas.

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DINHEIRO – Quais os próximos passos para o comércio exterior brasileiro?

LUCAS FERRAZ – A intensificação das negociações de novos acordos comerciais. O Brasil e o Mercosul negociam hoje acordos com Canadá, Cingapura, Coreia do Sul e EFTA (países europeus que não integram a União Europeia). E queremos mais. O Brasil já está em conversas exploratórias sobre um possível acordo de livre comércio com os EUA e também com o Japão. Outra medida, naturalmente interligada com a primeira, é a questão da reforma do bloco. Temos hoje um diagnóstico claro de que o Mercosul não serviu ao seu propósito de aumento da inserção internacional dos países que o compõem. E para isso, o primeiro ponto seria reduzir a nossa tarifa externa comum. Hoje, a média tarifária no mundo é ao redor de 6%. A nossa tarifa externa comum, em média, tá ao redor de 13%.

DINHEIRO – A China é a maior compradora do Brasil, mas passa por um processo de desaceleração. Existe um plano B, caso a demanda chinesa caia?

LUCAS FERRAZ – Não trabalhamos com uma ruptura significativa das taxas de crescimento da China, pelo menos no curto e médio prazo. Mas eu acredito que a melhor estratégia para diminuir a dependência de um único parceiro comercial é a abertura. Estamos fazendo um acordo de livre comércio com a segunda economia mais importante para o comércio, que é a União Europeia. Isso, por si, já é uma estratégia de diversificação.

DINHEIRO – Na questão dos Estados Unidos, como será possível negociar um acordo de livre-comércio com o presidente Donald Trump, que tem uma posição protecionista?

LUCAS FERRAZ – Hoje, os EUA são um dos países mais abertos do mundo, apesar das tarifas colocadas sobre os chineses. O que existe em termos de diálogos exploratórios está voltado para um acordo não-tarifário, voltado para melhoria da nossa facilitação do comércio, novas disciplinas para serviços, compras governamentais e, principalmente, convergência regulatória. E aí eu me refiro particularmente às chamadas barreiras não-tarifárias. Vários estudos mostram que elas são mais relevantes até do que as tarifas de importação.

DINHEIRO – Mas é possível ultrapassar as barreiras não tarifárias dos EUA?

LUCAS FERRAZ – Sim. Em um acordo comercial, se você adotar o reconhecimento mútuo das legislações vigentes nos países, haverá redução dos custos de exportação e importação e o incremento do comércio. É a chamada agenda de desburocratização de uma forma mais ampla.

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Fonte: IG Economia
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Economia

Os jatinhos da discórdia

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Divulgação

O apresentador Luciano Huck acusado de ter comprado um avião a prazo

Apenas a hipocrisia, a má fé, a mediocridade ou a combinação de tudo isso são capazes de explicar o barulho feito em torno dos financiamentos de jatos executivos da Embraer, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a algumas das empresas mais vistosas do país.

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Para os críticos dessa prática, o RS$ 1,9 bilhão que o banco de fomento empregou para financiar 134 aeronaves de fabricação nacional  entre 2009 e 2014 não passaram de um aceno de generosidade feito com dinheiro do povo na direção de quem não precisava de ajuda. Será que é isso mesmo?

Por essa visão, pessoas endinheiradas como o apresentador de TV Luciano Huck, o governador de São Paulo, João Doria, e os banqueiros da família Moreira Salles, para citar apenas alguns casos, só realizaram o sonho do jatinho próprio porque receberam um empurrão do banco oficial .

Luciano Huck pegou emprestado R$17,7 mi com BNDES para comprar jatinho

Esse tipo de visão, que tem se tornado comum nesse ambiente dominado por discussões rasteiras em que o Brasil se transformou, deve encher de alegria os diretores da canadense Bombardier, fabricante do Learjet , ou da americana Cessna, produtora do Citation.

Num mercado pequeno como é o da aviação executiva, as dificuldades criadas para a Embraer se traduzem automaticamente em facilidades para esses e para os outros poucos fabricantes que há no mundo. Simples assim.

avião da embraer arrow-options
Divulgação

Embraer: em 2018, a empresa vendeu menos jatinhos do que esperava


Mentalidade tacanha

Jato executivo não é bicicleta. Quem quer uma bike, vai à loja de sua preferência, escolhe o modelo, passa o cartão e sai com a mercadoria. Com avião não é assim. Os compradores são poucos e sempre disputados pelos vendedores .

Para fechar o negócio, levam em conta aspectos que vão além do preço e da simpatia por esse ou aquele modelo. As condições de financiamento , normalmente de longo prazo, costumam ser determinantes para a tomada de decisão.

Isso mesmo. Comprar um avião, seja nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá ou mesmo no Brasil, é um negócio feito a perder de vista, com prazos de financiamento que giram em torno de dez anos.

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Se o BNDES teve condições de oferecer uma linha de crédito para ajudar a empresa brasileira a vender mais aviões, ótimo. Essa decisão, além de render lucro ao banco público, significou mais empregos e mais arrecadação num país que, anda cada dia mais carente dessas duas coisas.

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Mesmo assim, os negócios feitos pela Embraer no mercado interno foram criticados e isso se explica mais pelos nomes de quem adquiriu os aviões do que pelas condições objetivas do negócio. Aqui entre nós, essa mentalidade tacanha serve apenas para mostrar o quanto o Brasil está despreparado para ser um país moderno e competitivo.

Retração do mercado

Uma linha de crédito competitiva faz parte do negócio da aviação executiva assim como o carnê é fundamental para os negócios da Casa Bahia ou do Bau da Felicidade. O que muda é apenas o porte e a capacidade financeira de quem toma o crédito.

Os jatinhos vendidos no mundo, inclusive os adquiridos pelos sheiks árabes (que podem se queixar de tudo, menos de falta de dinheiro) normalmente são financiados a perder de vista. Em qualquer lugar do mundo , não são os bancos comerciais, mas as agências de fomento que estão na origem desse tipo de linha de crédito.

Atenção! A lógica do negócio nunca foi oferecer benefícios ao comprador do avião — que em qualquer país do mundo costuma ser alguém endinheirado e em condições de arcar com a dívida que assume no ato da compra.

O objetivo verdadeiro é estimular os negócios de empresas que, pela própria natureza, vendem mercadorias de alto valor agregado, oferecem empregos em larga escala e são grandes arrecadadoras de impostos.

A Embraer, que já viveu momentos melhores do que o atual, sempre mereceu ser beneficiada por esse tipo de financiamento. Como todas as empresas nacionais, a fabricante de aviões tem perdido negócios em função da crise que o país atravessa.

A empresa, que esperava vender no ano passado um total de 125 jatos executivos, fechou o ano com apenas 91 aparelhos comercializados. Parte dessa queda se explica pela retração do mercado interno e pelo fechamento da linha de crédito que o BNDES, por meio do Programa de Sustentação do Investimento, punha à disposição dos interessados.

Mau uso do dinheiro

O BNDES só emprestou dinheiro para que algumas empresas comprassem seus aviões por uma razão: elas comprovaram ter condições para fazer o negócio. Além das pessoas jurídicas de Huck e de Doria, outros nomes conhecidos figuram na lista.

O frigorífico JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, está lá. A dupla poderia ter comprado aviões em qualquer país do mundo. Mas, ao invés de gerar empregos no Canadá ou nos Estados Unidos, como fez na compra de outros aparelhos de sua frota, desta vez resolveu beneficiar, também, os empregos na Embraer. Que mal há nisso?

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Fazer um negócio que gera empregos no Brasil, naturalmente, não livra Wesley e Joesley dos crimes que cometeram em seu relacionamento com as autoridades — pelos quais não terão que pagar devido ao acordo camarada que fecharam com a Procuradoria Geral da República.

Seja como for, a maioria dos 134 nomes que constam da lista não tem contas a ajustar com a sociedade. Mas, para se vingar de Luciano Huck, que andou fazendo críticas ao governo de Jair Bolsonaro , o BNDES resolveu e expô-lo por ter adquirido um avião.

E passando por cima da lei que garante o sigilo das operações bancária s, tornou pública a lista de quem obteve esse tipo de financiamento.

Condições de mercado

Junto com o nome do apresentador, outros vieram à tona. Por meio da empresa que cuida de seus interesses, chamada Vida Boa Shows e Eventos, os cantores sertanejos Victor e Léo financiaram em 96 meses um avião que custou cerca de R$ 6,5 milhões.

Victor e Léo arrow-options
Caio Duran / CDC Shows e Eventos

A dupla Victor e Léo: jatinho comprado a prazo


Desde que paguem a conta, não há problema algum nisso. Outras presenças atraem curiosidade. Entre os beneficiários dos empréstimos figura, por exemplo, a  Confederação Nacional do Transporte , CNT.

A diretoria da entidade — que, mesmo sendo de natureza privada, é financiada com dinheiro de impostos — certamente não tem necessidades de deslocamento que não possam ser supridas pelos voos de carreira.

Mas nem por isso a entidade deixou de adquirir seu próprio avião. De um modo geral, no entanto, a lista não causa espanto quando comparada à das maiores empresas do país.

A construtora MRV, a Fiat Automóveis, as Lojas Riachuelo, a mineradora CBMM e a fabricante de tratores John Deere também adquiriram aviões pelo mesmo sistema de financiamento oferecido a Luciano Huck e João Doria.

O que muda entre alguns casos e outros, são as taxas de juros (que oscilaram de 2,5% a 8,7%, dependendo das condições do mercado do momento do negócio), o prazo e o valor final que, naturalmente, depende da aeronave financiada.

Seja como for, a curiosidade despertada pela lista não deixa de ser interessante e mostra que o Brasil é mesmo um país esquisito.

Num momento em que a economia vive o pior momento da história e em que se fazem necessárias ações capazes de estimular o mercado , aparece alguém interessado em criticar uma das poucas políticas de fomento que deram certo no País.

Mas pedir bom senso para essa turma que parece se deleitar com as dificuldades do país parece cada vez mais inútil.

Fonte: IG Economia
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Economia

Nova linha de crédito para a casa própria: valor final pode ficar maior

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Pedro Guimarães arrow-options
Palácio do Planalto/Flickr

presidente da CAIXA, Pedro Guimarães anuncia nova linha de crédito para casa própria com reajuste pela inflação

A Caixa anunciou nesta terça-feira uma nova linha de crédito para compra da casa própria reajustado pela inflação. Segundo o banco, a vantagem para o consumidor é que os juros são mais baixos do que os praticados hoje pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH). 

Os juros mais baixos, porém, não garantem, segundo o advogado e presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG, Kênio Pereira, que o valor final pago ao final do financiamento será menor.

Caixa lança financiamento da casa própria corrigido pela inflação

“Hoje o reajuste é feito pela TR, que está há mais de oito anos em praticamente zero. Já no caso do IPCA , corre o risco da parcela subir significativamente, já que os contratos são de longo prazo, de 20 a 30 anos”, alerta o advogado.

Hoje, os juros praticados nos contratos de financiamento imobiliário assinados com a Caixa ficam entre 8,75% e 9,75% ao ano mais Taxa Referencial (TR) nas suas principais linhas de crédito imobiliário, para compra de imóveis novos ou usados. A TR atualmente está zerada, ou seja, não gera, atualmente, reajuste na parcela do financiamento. 

Na nova modalidade, os juros serão a partir de 2,95% e no máximo 4,95%, com reajuste baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, o índice oficial da inflação no Brasil. A previsão é que o IPCA feche 2019 a 3,71%. A novidade pode fazer com que o reajuste do financiamento ocorra todo mês , uma vez que será recalculado mensalmente incluindo o IPCA.

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Inflação

A questão é se, no longo prazo, a inflação do País ficará controlada. Para o professor de economia do Ibmec-BH, Fellipe Leroy, a pessoa que for comprar um imóvel deve considerar o risco do saldo devedor crescer descontroladamente caso a meta inflacionária não seja respeitada.

“Não é possível dizer que isso vai acontecer ou não nos próximos 20 ou 30 anos. Vai depender de termos um governo responsável. Mas temos que lembrar que o Brasil trabalha hoje com uma meta inflacionária controlada pela autoridade monetária”, pondera.

O professor ainda lembra que a TR, que é uma taxa definida pelo Banco Central, também pode mudar. “A TR pode ser alterada com uma ‘canetada’, já a meta da inflação, se não for respeitada pode colocar a economia do País  como um todo em risco˜, avalia Leroy.

Segundo o Boletim Focus, divulgado na última segunda-feira, as estimativas para o IPCA nos  próximos anos são 3,9%, em 2020, 3,75%, em 2021, e 3,5%, para 2022.

Já a meta da inflação , definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é 4,25% em 2019, 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,5% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.


Fator social e bancos

A manutenção da TR em níveis próximos de zero, segundo o advogado Kênio Pereira, estava ligado ao fator social do financiamento imobiliário.

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“Tanto que é uma taxa utilizada no reajuste da poupança, do FGTS, além do crédito para compra da casa própria. Atrelar o financiamento à inflação retira esse conceito social do financiamento imobiliário e beneficia os bancos”, critica.

Crédito com garantia de imóvel pode chegar a 20% do PIB em 20 anos

Para Felipe Leroy, porém, isso não é necessariamente negativo. Na avaliação do professor, a medida traz mais segurança para o banco que oferece o crédito.

“Temos um déficit habitacional grande no País. Dar mais segurança às instituições financeiras (utilizando a inflação para reajustar os empréstimos) faz com que os juros praticados sejam reais˜, analisa.

“Isso também pode fomentar o setor da construção civil , que é importante para geração de empregos e aquecimento da economia do País”, acrescenta Leroy.

Para Kênio Pereira, após o anúncio da Caixa, os bancos privados também deverão apresentar linhas de crédito habitacional atreladas à inflação.


Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni arrow-options
Palácio do Planalto/Flickr

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni participaram da cerimônia que lançou a nova linha de crédito imobiliário da Caixa




Entenda

A nova linha de crédito anunciada nesta terça-feira e estará disponível a partir da próxima segunda-feira (26) e terá R$ 10 bilhões disponibilizados pela Caixa.

Ela pode ser utilizada para novos contratos de compra de imóveis novos e usados para até 80% do valor da compra. O prazo máximo será de 30 anos. A parcela do empréstimo não poderá ultrapassar 20% da renda do consumidor.

A modalidade será facultativa, ou seja, a Caixa deve manter as outras modalidades do SFH e o programa Minha Casa, Minha Vida, que não foi alterado pelo anúncio desta terça-feira.

Fonte: IG Economia
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Economia

Devedor de pensão alimentícia não poderá fazer saque emergencial do FGTS

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Pais e responsáveis que pagam pensão alimentícia e estão em débito não poderão fazer o saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de até R$ 500, liberado pelo governo a partir de setembro.

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Homens fazendo saque do FGTS arrow-options
Fábio Rodrigues Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

Pais e responsáveis que tiverem o saldo retido só poderão fazer o saque dos saldo remanescente

De acordo com a Caixa Econômica Federal, pessoas que pagam pensão alimentícia e tiveram o saldo do FGTS bloqueado pela Justiça não terão acesso ao dinheiro. Em geral, o saldo é penhorado quando o responsável está com o pagamento da pensão em atraso.

Caixa afirma que os cotistas só poderão sacar o valor limitado ao saldo remanescente, ou seja, o que sobrar do recurso retido. A consulta do saldo das contas do trabalhador também fica bloqueada no aplicativo e no site do banco. Para ter acesso, ao valor acumulado, o cotista deve procurar uma agência da Caixa.

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O banco não tem dados sobre o número de trabalhadores nesta situação, mas orienta que, em caso de bloqueio, o beneficiário deve se informar sobre o FGTS em uma agência.

A liberação dos saques do FGTS deve alcançar 96 milhões de trabalhadores, segundo estimativas do governo. Atualmente, há cerca de 260 milhões de contas ativas e inativas no Fundo de Garantia. Desse total, cerca de 211 milhões (80%) têm saldo de até R$ 500.

De acordo com instituição financeira, as informações sobre a adesão deste grupo ao saque- aniversário, que possibilitará a retirada anual de um percentual do Fundo, ainda estão sendo definidas. Mas é certo que quem aderir a esta retirada não poderá sacar o saldo total da conta em caso de demissão sem justa causa, levando apenas a multa rescisória de 40% paga pelo empregador.

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Confira o calendário do saque emergencial

Depósito para quem tem conta poupança na Caixa:

  • Aniversário em janeiro, fevereiro, março e abril: 13 de setembro de 2019
  • Aniversário em maio, junho, julho e agosto: 27 de setembro de 2019
  • Aniversário em setembro, outubro, novembro e dezembro: 9 de outubro de 2019
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Para quem não tem conta poupança na Caixa:

  • Aniversário em janeiro: 19 de outubro de 2019
  • Aniversário em fevereiro: 25 de outubro de 2019
  • Aniversário em março: 8 de novembro de 2019
  • Aniversário em abril: 22 de novembro de 2019
  • Aniversário em maio: 6 de dezembro de 2019
  • Aniversário em junho: 18 de dezembro de 2019
  • Aniversário em julho: 10 de janeiro de 2020
  • Aniversário em agosto: 17 de janeiro de 2020
  • Aniversário em setembro: 24 de janeiro de 2020
  • Aniversário em outubro: 7 de fevereiro de 2020
  • Aniversário em novembro: 14 de fevereiro de 2020
  • Aniversário em dezembro: 6 de março de 2020

Fonte: IG Economia
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