conecte-se conosco


Saúde

Uso de maconha medicinal provoca divergência entre autoridades e pesquisadores

Publicado

Agência Brasil

Pesquisador faz anotações sobre maconha medicinal
shutterstock

Algumas famílias têm autorização de plantio de maconha para uso medicinal

A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados realizou nesta terça-feira (9) uma audiência pública sobre a regulação do uso da maconha medicinal. Nas exposições de autoridades, pesquisadores e representantes de pacientes, opiniões variaram entre uma maior abertura, incluindo o plantio por famílias para tratamento, e normas mais restritivas.

Leia também: Comissão do Senado votará projeto que concede meia-entrada a doadores de sangue

A regulamentação da maconha medicinal  é objeto de discussão no Parlamento e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência reguladora está com consulta pública aberta para ouvir interessados sobre uma proposta de resolução voltada a definir “requisitos técnicos e administrativos de segurança e controle necessários para a autorização do cultivo, exclusivamente para fins medicinais e científicos, da planta Cannabis spp”.

No Congresso, diversos projetos de lei buscam regular o emprego medicinal. Na Câmara tramita o PL 399 de 2015, do deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), que cria condições para viabilizar “a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta cannabis sativa em sua formulação”. No Senado, o PLS 514 de 2017 inclui na legislação a “permissão de importação de sementes e plantas e descriminalizar o cultivo de cannabis sativa para uso pessoal terapêutico medicinal e científico”.

Debate

O deputado Eduardo Costa (PTB-PA) abriu a audiência lembrando que já há medicamentos com substâncias derivadas da cannabis sendo comercializados no Brasil, para tratamento de esclerosa múltipla, mas por um alto custo. “Mervatyl é utilizado para esclerose múltipla, mas tem custo unitário de R$ 2 mil, proibitivo para classes mais humildes. Temos que criar facilidades. Seria o melhor dos mundos ter o registro de medicamentos e que eles fossem utilizados pelo SUS, para que famílias tivessem mais segurança”, defendeu.

O presidente da Anvisa , William Dib, argumentou que hoje o tema está sendo decidido pela Justiça sem critérios claros. Ele explicou que a proposta de resolução da agência fixaria exigências para o plantio, como a sua realização dentro de prédios, com determinadas condições técnicas e de segurança.

Veja Também:  Para que serve o eletrocardiograma? Saiba a importância da realização do exame

“O registro será simplificado, sem precisar de estudo clínico. Precisaria de certificação de qualidade, de boas práticas. Isso é fundamental, segurança de que produto será produtivo positivamente, usado para saúde das pessoas, e não para uso qualquer que seja diferente de medicamento”, explicou.

Quirino Cordeiro, do Ministério da Cidadania, questionou as evidências científicas da efetividade do emprego de cannabis em tratamentos em diversas áreas. Ele discordou de pontos importantes da proposta da Anvisa e defendeu uma regulação mais restritiva, na qual seria liberada apenas o uso do canabidiol.

“Não podemos deixar que as famílias tenham que plantar o que seus filhos vão utilizar. Tanto o plantio por empresas quanto por famílias, o ministério avalia que são situações inapropriadas. Precisamos nos ater aonde estamos no presente momento no tocante ao embasamento científico para isso, o uso compassivo do canabidiol, mas vedando a prescrição da cannabis in natura para uso terapêutico”, opinou.


Controle e fiscalização

O representante do Ministério da Agricultura Carlos Goulart informou que o órgão não se opõe ao uso medicinal, mas sua preocupação está na “organização dos órgãos para definir quem iria controlar e fiscalizar se o uso proposto desses plantios”.

João Paulo Lotufo, do Conselho Federal de Medicina, manifestou preocupação do uso medicinal reforçar uma percepção na sociedade de que a cannabis não faz mal. “Podemos plantar e produzir o canabidiol? Acho que deve. Mas temos que esclarecer que não há maconha medicinal, há canabidiol. Essa é a preocupação do CFM. Precisamos de medidas de informação neste sentido”, disse.

O médico Leonardo Ramires, representante da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal, contestou o representante do Ministério da Cidadania afirmando que o “canabidiol sozinho não existe”. Ele também contestou o argumento de que não haveria evidências científicas dos benefícios de tratamentos com produtos à base de cannabis, citando que mais de 900 médicos de 36 especialidades já teriam prescrevido tratamento com substâncias desse tipo.

Veja Também:  Justiça autoriza empresa a plantar cannabis após decisão contrária da Anvisa

Na avaliação de Ramires, o cenário atual, com a oferta de apenas um medicamento, é problemático porque a comercialização depende da safra da planta e o custo é alto. O Mervatyl, por exemplo, custa cerca de R$ 2.000. “Caro vai ficar para nós, pacientes. Há empresário abrindo empresa nos Estados Unidos para vender para brasileiro. Será que isso é para população brasileira? Precisa de associação para fornecer a preço justo”, disse.

Ricardo Ferreira, da Associação Brasileira do Estudo de Cannabis, reforçou que não se trata de liberação ou não da cannabis, mas de como ampliar o mercado, hoje monopolizado pela fabricante do Mervatyl, a empresa britânica GW.

“A questão é vamos continuar importando ou vamos produzir aqui? Vamos usar a regulamentação a nosso favor ou vamos importar insumos que uma empresa vai produzir lá fora para vender para cá. É isso que tem que ser discutido, e não se a cannabis pode ou não ser usada como medicamento. Isso já foi resolvido em 2017”, disse, lembrando do ano em que a Anvisa permitiu o início da comercialização do Mevatyl no país.

Leia também: Pesquisa indica que massagem pode ser uma grande aliada contra a dor

O deputado e ex-ministro da Saúde Ricardo Barros (PP-PR) defendeu que a regulação pode ajudar a baratear os custos do Sistema Único de Saúde no atendimento a pacientes em doenças e condições cujo uso de  maconha medicinal pode auxiliar. “Esse é o debate que interessa para o Brasil, e pode reduzir para o SUS o custo de determinados tratamentos, especialmente se tivermos liberdade de utilizar a planta adequada da forma mais simples”.

Fonte: IG Saúde
Comentários Facebook
publicidade

Saúde

Pesquisadores sugerem que teste de colesterol seja feito a partir dos 25 anos

Publicado

Jovens a partir de 25 anos de idade precisam conhecer o nível de colesterol em seu sangue para que possam se prevenir contra ataques cardíacos e derrames mais tarde. Essa foi a conclusão de um estudo divulgado, na última quarta-feira (4), na revista médica britânica The Lancet .

Leia também: Entenda a diferença entre o colesterol bom e o colesterol ruim 

colesterol arrow-options
shutterstock

Entenda por que o colesterol deve ser testado a partir dos 25 anos, segundo especialistas

Os autores, que analisaram os dados de mais de 400.000 pessoas de 19 países ocidentais por um período muito longo —até 43 anos, em alguns casos— confirmam o vínculo entre uma taxa de colesterol excessivamente alta e o maior risco cardiovascular a longo prazo.

Mas também demonstram que esse risco aumentado é maior em pacientes relativamente jovens (menos de 45 anos) do que naqueles com mais de 60 anos.

Assim, as mulheres com menos de 45 anos com um nível de colesterol LDL (o “mau”) um pouco alto — entre 1,45 e 1,85 gramas por litro — que apresentam pelo menos dois fatores de risco para doenças cardiovasculares (como obesidade, diabetes, hipertensão ou tabagismo) têm 16% de chance de acidente cardiovascular antes dos 75 anos, de acordo com o estudo.

Veja Também:  Ministro da Saúde acredita que Brasil terá vacina contra a dengue em um ano

Leia também: Como diminuir o colesterol? Especialistas explicam o que deve ser feito 

No caso de mulheres acima de 60 anos com o mesmo perfil, o risco é de 12%, de acordo com o estudo, publicado na Lancet . Nos homens com as mesmas características, as chances são de 29% e 21%.

Duração da exposição

“O que se sugere é que não é apenas o nível de colesterol, mas a duração da exposição a um colesterol alto que coloca a saúde em risco”, ressalta Paul Leeson, professor de medicina cardiovascular da Universidade de Oxford (Reino Unido), em um comentário independente sobre o estudo.

Com a ajuda de um modelo estatístico, os pesquisadores demonstram que, se metade da taxa de colesterol ruim for reduzida —com a ajuda, por exemplo, de medicamentos da família das estatinas—, o risco cardiovascular em mulheres com menos de 45 anos cairia para 4% e nos homens para 6%.

O colesterol HDL, descrito como “colesterol bom”, é constituído por lipoproteínas que transportam o excesso de colesterol para o fígado, impedindo assim seu acúmulo nos vasos sanguíneos.

Veja Também:  Pesquisadores sugerem que teste de colesterol seja feito a partir dos 25 anos

O colesterol LDL é medido subtraindo a quantidade total de colesterol e a do colesterol HDL. Consiste em colesterol LDL (associado ao risco de aterosclerose, um endurecimento dos vasos sanguíneos devido à formação de ateromas) e triglicerídeos.

“Esses resultados consolidam a ideia de que o controle do nível de colesterol o mais rápido possível no decorrer da vida pode produzir melhores resultados do que esperar tratamento em uma idade avançada”, diz Leeson.

No entanto, antes de deduzir recomendações médicas, é necessário fazer mais pesquisas sobre como reduzir efetivamente o colesterol em pessoas relativamente jovens, especialmente sobre a relevância de fazer o tratamento continuamente por décadas, enfatiza.

Os dados atuais sobre as estatinas “não avaliam tratamentos há várias décadas; portanto, o risco de efeitos colaterais que modificam a relação benefício-risco não está claramente estabelecido”, estima Jennifer G. Robinson, professora do departamento de epidemiologia da Universidade de Iowa (Estados Unidos) em outro comentário independente sobre o estudo.

Leia também: 11 trocas simples que ajudam a reduzir o nível do colesterol

Vários autores do estudo declararam que receberam vários tipos de financiamento, como bolsas de pesquisa ou remuneração de diferentes laboratórios farmacêuticos.

Fonte: IG Saúde
Comentários Facebook
Continue lendo

Saúde

Desnutrição pode levar à morte; entenda a condição e saiba as principais causas

Publicado

Minha Saúde

A desnutrição é uma condição muito comum e que pode ser fatal. Por isso, ela deve ser diagnosticada rapidamente e tratada da forma adequada. Mas afinal, o que caracteriza esse distúrbio?

Leia também: Caso de jovem que perdeu movimento das pernas expõe riscos de dieta restritiva

desnutrição arrow-options
shutterstock

A desnutrição deve ser diagnosticada em tempo hábil para evitar complicações sérias e até mesmo a morte

A desnutrição é um estado físico de nutrição desequilibrada. Quando pensamos na doença, geralmente atribuímos à falta de calorias, proteínas ou outros nutrientes. Isso ocorre frequentemente em áreas do mundo sem acesso adequado a alimentos e água potável.

No entanto, também ocorre a supernutrição. Nesse caso, o problema é causado pelo excesso de calorias sem nutrientes. Essas pessoas geralmente não consumem alimentos nutritivos na quantidade suficiente, como frutas, verduras, grãos integrais, proteínas magras, feijão, laticínios com pouca gordura, nozes e sementes.

Isso pode resultar em deficiências de vitaminas, minerais ou proteínas. Nos Estados Unidos, isso é comumente observado. Há um paradoxo no país entre a fome e o excesso de peso, que ocorre principalmente em áreas de insegurança alimentar e empobrecimento.

Veja Também:  Pesquisadores sugerem que teste de colesterol seja feito a partir dos 25 anos

Leia também: Cinco sinais de que você está desidratado

A desnutrição em crianças, especialmente nas menores, pode levar a um crescimento atrofiado, atrasos no desenvolvimento e mais doenças, devido à má função imunológica.

Desnutrição pode ocorrer por diversos fatores

Também existem casos de desnutrição clínica, o que ocorre quando um paciente hospitalizado fica desnutrido. Há muitas razões pelas quais alguém no hospital pode não estar recebendo nutrição suficiente. Por exemplo, se o corpo requer mais nutrição do que o normal.

Ou quando o corpo não é capaz de absorver os nutrientes que ingerem. Por isso, alguns pacientes precisam receber nutrição através de um tubo inserido no estômago ou mesmo nutrição intravenosa, onde o trato digestivo é completamente contornado.

É importante que a desnutrição seja diagnosticada em tempo hábil. Quando um paciente hospitalizado fica desnutrido, seu tratamento médico e sua recuperação são afetados. Além disso, a desnutrição aumenta o risco de morte, o tempo de permanência e os custos com saúde. Sendo assim, o ideal é que os hospitais identifiquem o problema dentro de 24 horas após a admissão do paciente.

Veja Também:  Anvisa aprova registro de medicamentos à base de maconha no Brasil

A desnutrição também pode ser resultado de um distúrbio alimentar . A doença pode ser causada ainda por falência de órgãos, infecção grave ou trauma físico, como um ferimento na cabeça. A desnutrição ocorre frequentemente na população idosa, especialmente naqueles com demência ou doença de Alzheimer.

Leia também: Entenda o que é a fome oculta, como pode afetar seu filho e qual o tratamento

Além disso, a perda de dentes e outros problemas dentários, a perda de apetite e o declínio funcional são fatores que contribuem para a desnutrição entre as pessoas dessa faixa etária. Com informações da Academia de Nutrição e Dietética.

Fonte: IG Saúde
Comentários Facebook
Continue lendo

Saúde

Como os produtos à base de Cannabis agem no organismo e como será a venda deles?

Publicado

Na terça-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou o registro de produtos  à base de maconha no Brasil. Com a decisão, que entra em vigor em 90 dias, os itens feitos com cannabis só poderão ser comercializados em farmácias e drogarias e vendidos aos pacientes sob prescrição médica.

Cannabis arrow-options
shutterstock

Neurologista explica como a Cannabis age no organismo humano; entenda também como será a prescrição médica

Leia também: Cientistas combatem sintomas do Alzheimer com compostos extraídos da maconha

Como a Cannabis age no organismo e quem será beneficiado?

A Cannabis tem mais de 100 ativos e, entre os mais conhecidos, estão o tetrahidrocanabinol (THC) e o Canabidiol (CBD), que são os principais componentes da folha da maconha, mas que atuam de forma diferente nas células do organismo. 

“Eles atuam em receptores (esquema chave e fechadura nas membranas das células nervosas) canabinóides que existem nos neurônios do encéfalo, como se fossem neurotransmissores, modulando, assim, a função cerebral”, diz Fernando Gomes, neurocirurgião e neurocientista do Hospital das Clínicas de São Paulo.  

Apesar de ambos atuarem através da ligação dos receptores, eles têm funções diferentes. “O CBD tem efeito sedativo, leve e a principal utilização tem sido nas epilepsias de difícil controle, que se tornam refratárias com a utilização de medicamentos convencionais”, aponta Mario Franco Netto, diretor técnico do Hospital Regional da Transamazônica, em Altamira (PA), gerenciado pela Pró-Saúde.

Veja Também:  Menina quase fica cega após ser atingida por objeto pontiagudo no olho direito

“Já existem muitas evidências de tratamento com o CBD. Porém, ainda não está completamente fechado do ponto de vista científico e, por isso, que essa utilização está sendo cada vez mais estudada. Mas os relatos de pessoas que o utilizam, principalmente em crianças ou adultos com essas crises convulsivas refratárias, tem sido impressionante como o uso melhora a condição desses pacientes”, destaca Netto.

Já o THC é o efeito conhecido quando a maconha é consumida in natura . “É a alteração  psicológica da pessoa naquele momento, do ponto de vista de consciência. Nos estudos, é também responsável pela dependência dos que a utilizam de forma recreativa. O THC é o componente que causa o vício, com alteração do sistema nervoso”, completa o diretor técnico. 

De forma geral, podemos dizer, conforme explica o neurocirurgião do Hospital das Clínicas, que o THC produz efeitos psicoativos e neurotóxicos em potencial. O CBD, por sua vez, apresenta propriedades antipsicóticas e estabilizadora dos neurônios, com efeito neuroprotetor, tendo o efeito positivo nos pacientes com difícil controle da epilepsia.

Veja Também:  Pesquisa da USP descobre como vírus deixa leishmaniose mais agressiva

Além da epilepsia, portadores de doença de Parkinson, autismo e dor crônica,  além de portadores de neuropatias e Alzheimer podem se beneficiar dos produtos à base de Cannabis.

Saiba como será a prescrição médica 

Ainda de acordo o órgão, somente o médico pode indicar qual o produto será usado e em qual tratamento. Além disso, os pacientes devem ser informados sobre o uso desses produtos. As regras para a prescrição do produto variam de acordo com a concentração de tetra-hidrocanabinol (THC). 

Segundo a Anvisa, nas formulações com concentração de THC menor que 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário tipo B, com numeração fornecida pela Vigilância Sanitária local e renovação de receita em até 60 dias.

Leia também: 7,7% dos brasileiros usaram maconha pelo menos uma vez, aponta levantamento

Os produtos com concentrações de THC superiores a 0,2%, por sua vez, só vão poder ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Aqui, o receituário para prescrição será do tipo A, fornecido pela Vigilância Sanitária local.

Fonte: IG Saúde
Comentários Facebook
Continue lendo

Nova Xavantina

Policial

Política MT

Mato Grosso

Mais Lidas da Semana