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Acidente ou sabotagem? Entenda a contaminação das cervejas da Backer

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IstoÉ Dinheiro

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Contaminação das cevejas da Backer já causou vítimas e é investigada

Uma das cervejarias artesanais mais promissoras do País, a mineira Backer, com sede em Belo Horizonte, vive um processo dramático, que põe em risco uma ascensão meteórica da empresa criada em 1999. À época, o mercado dominado por grandes companhias observava o surgimento de uma demanda por cervejas especiais.

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A visibilidade nacional nos últimos dias, que poderia ter ocorrido pela qualidade e crescimento das vendas de seus rótulos, veio de uma forma trágica e desastrosa. A companhia é investigada pela morte de três pessoas que ingeriram a cerveja Belorizontina, que pode ter tido lotes contaminados com monoetilenoglicol e dietilenoglicol, substâncias utilizadas como resfriadores e anticongelantes e que não deveriam ter contato com a água usada na elaboração da bebida. Uma quarta morte, registrada no município de Pompéu e que também estaria relacionada ao consumo do produto da Backer , ainda é investigada.

No total, 17 pessoas tiveram sintomas de intoxicação na capital e em outras cinco cidades mineiras: Nova Lima (Região Metropolitana), São João Del Rei (Campo das Vertentes), São Lourenço (Sul de Minas), Ubá e Viçosa (ambas na Zona da Mata). Exames confirmaram a presença da substância dietilenoglicol no corpo de quatro pacientes. Os casos estão sendo apurados e foram registrados como síndrome nefroneural, cujos sintomas são náusea, vômito e dor abdominal, associados à insuficiência renal aguda de evolução rápida, com alterações neurológicas.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento interditou a fábrica e, com integrantes da Polícia Civil de Minas Gerais, realiza perícia em todos os lotes, tanques e processo de produção da Backer. Também mandou suspender a venda de qualquer produto da marca fabricado desde outubro de 2019.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa ) determinou o recolhimento da bebida em todo o País. As primeiras análises mostravam que apenas o tanque de número 10 da cervejaria estaria contaminado. Nele eram produzidas as marcas Belorizontina e a Capixaba, esta distribuída no Espírito Santo e de rótulo diferente, mas de mesma fórmula do líquido presente na capital mineira. Porém, o avanço das investigações da força-tarefa mostrou que vários dos 70 tanques da empresa foram contaminados – e, portanto, vários lotes dos produtos.

Imagem arranhada: A Belorizontina é a principal cerveja da Backer. Com o atual episódio, a própria empresa orientou os consumidores a não comprar a bebida. (Crédito:Uarlen Valério | Cristiane Mattos)

Por isso, o governo federal trata essa contaminação como algo “sistêmico”. Segundo o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do Ministério da Agricultura, Carlos Vitor Müller, as principais linhas de investigação são vazamento do tanque, utilização incorreta do dietilenoglicol e sabotagem por vingança de um ex-funcionário que foi demitido da cervejaria – o ex-trabalhador discutiu com o chefe e chegou a ameaçar um supervisor no fim do ano passado.

Outras hipóteses não estão descartadas. “Não posso afirmar se foi uma sabotagem ou um erro. Ainda não é o momento da investigação para isso”, disse o delegado Flávio Grossi. “Hoje, o que afirmamos é que os elementos tóxicos encontrados nas garrafas, no sangue das vítimas e dentro das empresas provêm de produtos em comum. Acreditamos que houve crime. Por isso, instauramos um inquérito policial”, acrescentou o delegado.

A situação em que se encontra a cervejaria Backer é tão negativa que a diretora de Marketing, Paula Lebbos, fez a “publicidade reversa” da marca. Enquanto o setor de divulgação de qualquer empresa do mundo trabalha para dar visibilidade à sua companhia e criar ações para o público comprar seus produtos, Paula pediu, em entrevista coletiva realizada na terça-feira 14, que os consumidores “não bebam a Belorizontina, seja de que lote for”. “Estou sem dormir. Muito triste e assustada com tudo isso. É preciso saber a verdade o mais rápido possível”, afirmou a diretora, que é sócia-proprietária da companhia.

Caso de polícia: Com três mortes e 17 pessoas contaminadas, o caso da cerveja Belorizontina está nas mãos da polícia. “Acrediamos que houve crime. Por isso, instauramos um inquérito policial”, diz o delegado Flávio Grossi (acima). Ele trabalha com algumas possibilidades para o caso, como vazamento de um dos tanques da cerveja e até sabotagem por parte de um ex-funcionário. “Ainda não dá para afirmar nada” (Crédito:Uarlen Valério | Fred Magno)


TRAJETÓRIA Com mais de duas décadas de trabalho, a cervejaria artesanal pioneira em Minas Gerais alavancou sua trajetória nos últimos anos. A empresa foi estabelecida pelos irmãos Halim e Munir Lebbos, que começaram fabricando chope, vendido numa casa noturna da própria família. A cerveja Belorizontina, que está no epicentro do episódio de contaminação, foi criada em dezembro de 2017, para homenagear os 120 anos da capital mineira. A produção inicial foi de 10 mil litros. Segundo estimativas do setor, antes da suspeita de contaminação, o volume aproximado de produção da cerveja era de 600 mil litros por mês.

Virou o carro-chefe entre os 21 rótulos da Backer por agradar ao paladar dos brasileiros. Com coloração “brilhante, amarelo claro, leva Dry Hopping de lúpulos franceses que conferem sutil aroma floral e cítrico”, de acordo com descrição no site da Cervejaria Backer. “Leve e refrescante, possui baixo amargor e excelente drinkability”, continua a empresa. Uma cerveja que cai bem ao verão brasileiro. Justamente o que levou muita gente a consumir a bebida no calor que fez no País em dezembro passado.

Além disso, o preço conta a favor da Belorizontina. Enquanto alguns rótulos mais elaborados da Backer custam R$ 80 a garrafa, ela estava sendo vendida em alguns mercados de Minas Gerais por R$ 5,28. Estratégia comercial para encarar as tradicionais da gigante Ambev , por exemplo. O potencial mercadológico da bebida leva em consideração ainda um ambicioso plano de marketing, com inserção no Carnaval mineiro, que em 2019 recebeu 4,6 milhões de foliões. Um mercado alvissareiro para o crescimento de um produto que tem tudo a ver com a maior festa popular brasileira.

No Carnaval do ano passado, a Backer apostou em patrocínios para divulgar a marca em famosos blocos e eventos, em Belo Horizonte e em cidades turísticas mineiras. O planejamento de crescimento vinha dando certo. Tanto que, dos 70 tanques da fábrica da Backer no bairro Olhos D’água, na Região Oeste de Belo Horizonte, 20 foram adquiridos apenas no ano passado.

Ainda segundo estimativas do mercado local, a Backer teria contrato de fornecimento mensal de 60 mil caixas (cada uma com 15 unidades de Belorizontina) por mês, para uma rede de supermercados da capital mineira, o equivalente a aproximadamente 450 mil litros de cerveja a cada 30 dias.

Com os bons resultados e a consequente ampliação da produção, a cervejaria artesanal possui atualmente 600 funcionários. Um tamanho de equipe bem diferente de quando o negócio familiar começou. Um time grande, que alcançou o topo do mercado de cervejas premium no Estado de Minas Gerais – ao abocanhar de 50% a 60% das vendas do setor – e a liderança das artesanais no Brasil em volume de produção, com cerca de 800 mil litros mensais.

Apesar de a empresa não revelar números, o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais (SindBebidas) estima que o faturamento mensal da marca seja de R$ 8 milhões, considerando um tíquete médio de R$ 10 por litro. Números expressivos levaram a cervejaria a ser alvo de algumas críticas de concorrentes e especialistas, os quais avaliam que a Backer não poderia ser mais chamada de artesanal, mas de microcervejaria. Críticas insignificantes diante do atual cenário da companhia, que acumula a partir de agora prejuízos financeiros e de imagem, que devem respingar no mercado de cervejas artesanais como um todo.

Em comunicado oficial sobre a contaminação de seus produtos, a Cervejaria Backer afirma que neste momento “mantém o foco nos pacientes e em seus familiares” e que a empresa “prestará o suporte necessário, mesmo antes de qualquer conclusão sobre o episódio”. A companhia informa, ainda, que continua colaborando, sem restrições, com as investigações. “A empresa segue apurando internamente o que poderia ter ocorrido com os lotes de cerveja apontados pela Polícia”, afirma o comunicado.

Leia também: Perícia encontra substância tóxica na água utilizada pela cervejaria Backer

A companhia salienta que solicitou uma perícia independente e aguarda os resultados, apesar das confirmações da contaminação nos tanques por dietilenoglicol pelo Ministério da Agricultura e pela própria auditoria da cervejaria. As análises completas e detalhadas ainda não foram divulgadas. A empresa reitera que utiliza apenas o agente monoetilenoglicol. E afirmou que vai trocar ou devolver o dinheiro ao consumidor que tiver a Belorizontina de qualquer lote.

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EUA querem fazer parceria com empresa de telefonia para enfrentar Huawei

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Os Estados Unidos estão buscando desenvolver uma parceria com a indústria de telecomunicações para fornecer alternativas ante a liderança de mercado da chinesa Huawei Technologies , disse uma importante autoridade da Casa Branca , nesta sexta-feira (14).

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Falando na Conferência de Segurança de Munique , na Alemanha , Robert Blair , representante especial da Casa Branca para política internacional de telecomunicações, disse que uma parceria é “muito diferente de comprar ações com o dinheiro dos contribuintes”.

Huawei arrow-options
Divulgação

Huawei


O procurador-geral dos EUA , William Barr , havia proposto anteriormente que o país considerasse adquirir duas grandes rivais estrangeiras da Huawei, embora a Casa Branca tenha rejeitado a sugestão pouco depois.

Blair também disse que o Reino precisa avaliar decisão de usar equipamentos fabricados pela Huawei, que segundo autoridades de Washington é um risco à segurança, acusações que a empresa nega.

Dados foram roubados de seis empresas, diz ‘FT’

Promotores americanos estão acusando a chinesa Huawei de roubar tecnologia de seis empresas americanas, de acordo com reportagem do diário britânico ” Financial Times “. Segundo o jornal, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos fez novas acusações contra a companhia incluindo extorsão, fraude e violação de sanções contra a Coreia do Nort e.

Segundo o “FT”, a Huawei estaria roubando tecnologia desde 2000, o que foi descrito como “padrão de atividade de extorsão”.

Governo Doria garante que alimentos do Ceagesp serão fiscalizados após chuvas

A justiça dos EUA diz ainda que os diretores sêniores da chinesa fizeam falsos depoimentos ao FBI . “A Huawei , a Huawei USA e a Futurewei concordaram em reinvestir o produto dessa suposta atividade de extorsão nos negócios mundiais da Huawei, inclusive nos Estados Unidos”, disse o trecho do documento obtido pelo “FT”.

Segundo a Huawei , “essa nova acusação constitui parte do objetivo do Departamento de Justiça dos EUA de provocar danos na reputação e nos negócios da Huawei por razões competitivas em vez de legais. As novas acusações carecem de fundamento e estão baseadas principalmente em disputas cíveis recicladas dos últimos 20 anos que já foram resolvidas, litigadas e, em alguns casos, recusadas por juízes e júris federais”.

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Concessão de 22 aeroportos de São Paulo deve ser concluída ainda em 2020

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Aeroporto Leite Lopes - Ribeirão Preto arrow-options
Daesp/ Divulgação

Aeroportos receberão investimentos do capital privado

Os 22 aeroportos regionais administrados pelo estado já têm modelo de concessão definido e processo deve ser realizado ainda no ano de 2020. Eles serão divididos em dois blocos: de um lado, o bloco noroeste, que tem como peça-chave o aeroporto de São José do Rio Preto; do outro, o sudeste, com o de Ribeirão Preto. O investimento esperado é da ordem de R$ 700 milhões.

O formato de negociação foi definido após os estudos, em fase de conclusão, do Departamento Aeroviário (Daesp), junto à consultoria da IOS Partners. A ideia é que o capital privado amplie a capacidade dos aeroportos, aumentando a oferta de voos e, consequentemente, criando as condições para o desenvolvimento econômico e social dos municípios.

Leia mais: Prévia do PIB aponta alta de 0,89% em 2019

De acordo com a secretaria de logística e transportes do estado de São Paulo, os vencedores da concessão deverão aplicar R$ 400 milhões em melhorias de curto prazo na infraestrutura aeroportuária, além de outros R$ 300 milhões para manter a operação dos terminais ao longo dos 30 anos de contrato.

Veja também: Dólar opera em queda após quatro recordes consecutivos.

Os detalhes do processo de seleção ainda serão definidos nos próximos dias, pelo Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas e CDPED (Conselho de Desestatização), mas a previsão é que todo o processo de desestatização dos aeroportos estaduais seja concluído ainda em 2020.

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Zerar ICMS deve impactar segurança, salários e educação, diz especialista

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Proposta de Bolsonaro de zerar ICMS causaria grandes impactos negativos arrow-options
Marcos Corrêa/PR – 6.6.19

Jair Bolsonaro

O cabo de guerra que representa as mudanças no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS , defendidas pelo governo federal, pode representar dificuldades financeiras para os estados, segundo afirmam especialistas. Publicamente, o presidente Jair Bolsonaro, sob o discurso de que são os tributos que encarecem o preço praticado nas bombas, alega desejar zerar os tributos federais sobre os combustíveis, condicionando que a mesma ação seja realizada pelos estados. 

O impacto de tal decisão seria grande. Em São Paulo , por exemplo, o tributo representa 84% (R$ 144 bilhões) de tudo o que o Estado recolhe por vias próprias. Nesse contexto, o que incide apenas sobre combustíveis representa, em média, 20% de toda a arrecadação do tributo.

Segundo Caio Bertine, advogado e especialista em direito tributário, a mudança em questão teria que ser tomada com bastante cautela, pois perder parte desse montante afetaria os cofres estaduais e municipais, podendo prejudicar serviços públicos para a população como segurança, saúde, educação e até salário de servidores. “Não se pode falar de redução sem que haja uma análise dos impactos financeiros orçamentários que podem ser gerados. Quando falamos em administração pública, primeiramente devemos analisar as despesas para verificar a demanda de receita. Se a receita é reduzida, consequentemente as despesas sofrerão impactos significativos”, afirma.

Veja também: Por melhores condições, servidores do INSS marcam protesto para sexta-feira

O estado de São Paulo, por exemplo, utiliza o ICMS para financiar as universidades estaduais, como USP, Unesp e Unicamp. A USP recebe 5,03% do recebido – R$ 559 milhões em dezembro. O valor é utilizado para pagar os salários de professores e funcionários, custeios de manutenção e investimentos em estrutura, entre outras despesas. 

Outro problema da redução é que a constituição determina que os municípios recebam 25% do que é recolhido com o ICMS. Dessa forma, esses repasses são importantíssimos sobretudo para as cidades menores, que enfrentam dificuldade em arrecadar tributos municipais devido à baixa atividade econômica. “Só existe uma forma real de se diminuir carga tributária, que é a diminuição de despesas publicas. Ou seja, para viabilizar a redução, primeiramente é necessário realizar um trabalho de enxugamento da máquina administrativa, otimizando os recursos e reduzindo os gastos”, finaliza Caio Bartine.

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Em declarações anteriores, Bolsonaro defende que a cobrança de tributos seja feita nas refinarias, e não no posto de combustíveis. “O problema que estou tendo é com combustível. Pelo menos a população já começou a ver de quem é a responsabilidade. Não estou brigando com governador, o que quero é que o ICMS seja cobrado do combustível la na refinaria, e não na bomba. Eu baixei três vezes o combustível nos últimos dias e na bomba não abaixou nada”, declarou.

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