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Política Nacional

Acusado de matar Marielle tinha “relação promíscua” com ex-chefe de investigação

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Jorge Luiz Camillo Alves, preso na operação, é acusado pelo Ministério Público de ter ‘intensa sequência de diálogos’ com Ronnie Lessa

A relação entre o sargento reformado da PM Ronnie Lessa — acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes — e o ex-chefe de investigação da 16ª DP (Barra da Tijuca), Jorge Luiz Camillo, é definida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) como “promíscua”.

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De acordo com a denúncia do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, os dois trocaram diversas mensagens por telefone entre setembro e outubro de 2018. Através delas, Lessa teria negociado com Camillo a liberação de máquinas caça-niqueis apreendidas em um bingo clandestino do sargento reformado por policiais do 31º BPM (Recreio) e levadas para a 16ª DP.

 As conversas foram descobertas a partir da quebra do sigilo telefônico de Lessa , que teve o celular apreendido em março do ano passado, data em que foi deflagrada a Operação Lume, que resultou na prisão do sargento reformado e do ex-PM Élcio de Queiroz , também acusado de matar Marielle e Anderson . Com a análise do aparelho, o Gaeco descobriu o vínculo entre Lessa e Camillo. Os diálogos mostram que os dois se encontravam na 16ª DP ou nas imediações da unidade.

Segundo a denúncia, Lessa e Camillo se encontraram pelo menos duas vezes para tratar da liberação das máquinas. Num dos diálogos, Lessa diz que os caminhões estão chegando à unidade para retirar os equipamentos. Camillo, que foi preso na semana passada por suspeita de favorecer milicianos que deveria investigar, responde com um emoji, com uma mão fazendo sinal de positivo.

O MP do Rio ressalta num dos trechos da denúncia: “A toda evidência o denunciado Camillo utilizava a 16ª Delegacia de Polícia como palco de seus intentos criminosos, demonstrando, de forma cabal, que não só nutre verdadeiro desprezo pela instituição, como é divorciado de qualquer princípio ético e valor moral”. E prossegue dizendo que a conduta do ex-chefe de investigação é “incompatível com a reputação ilibada que se espera de um agente policial”.

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Camillo era responsável por investigar milícia na Muzema
Preso nesta quinta-feira durante a operação Os Intocáveis II, o policial civil Jorge Luiz Camillo Alves é chefe do Setor de Investigações (SI) da 16ª DP (Barra da Tijuca). Ele era responsável pelas investigações sobre as construções irregulares na Muzema, na Zona Oeste do Rio. A área é dominada por uma milícia que lucrava com construção de imóveis e empreendimentos comerciais. Segundo o Ministério Público (MP), Camillo daria apoio a esse grupo paramilitar.

De acordo com o MP, Camillo — preso em casa — foi flagrado em uma “intensa sequência de diálogos” com Ronnie Lessa, acusado de executar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes junto com Élcio de Queiroz. O MP chegou a esse policial civil graças à análise de um telefone celular apreendido na Operação Lume, durante a qual Lessa e Queiroz foram presos.

O policial era tratado por Lessa como o Amigo da 16, em referência à delegacia da Barra da Tijuca, informou o MP. Segundo o órgão, o tratamento se repetia em “em vários trechos dos diálogos”. 

Confira as transcrições das conversas entre Lessa e Camillo:

Dia 21 de setembro de 2018, diálogo iniciado às 16h30m. Lessa faz o primeiro contato com o chefe de investigação da 16ª DP (Barra da Tiujca) e marca um encontro:

Lessa: Boa tarde, meu amigo. É o Lessa, tudo bem? Estará pela sua base hoje? Se estiver, e não estiver enrolado, vou passar aí rapidinho para te dar um abraço.

Camillo: Tô aqui. Boa tarde, amigo.

Lessa: Está ocupado? Estou na escola do meu mlk (moleque), pertinho, passava aí rapidinho.

Camillo: (responde com sinal de positivo)

Lessa: Tô aqui fora, estou de bermuda.

Camillo: Vou aí.

Lessa: ok.

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Dia 12 de outubro de 2018, diálogo iniciado às 14h27m. Camillo procura por Lessa e diz que “tmj”, gíria que significa “estamos juntos”:

Camillo: Hoje não estou por casa. Mas precisa de algo? Vou até você.

Lessa: Ok, se quiser vou ao seu encontro

Camillo: Fala onde. Tmj.

Lessa: Mas se vier para a Barra eu já estou

Camillo: Então 15h na minha base fica bom para você?

Lessa: Ótimo, estarei lá 

Camillo: (responde com sinal de positivo)

Lessa: (responde com sinal de positivo)

Dia 12 de outubro de 2018, em mais uma conversa no dia, iniciada às 14h36m, entre Ronnie Lessa e um interlocutor identificado como Leandro R, convidado para a reunião com o agente da Polícia Civil:

Lessa: Fala, meu brother, o amigo da 16 (que a promotoria identificou como sendo Camillo) marcou às 15h

Lessa: (reproduz a foto na qual aparece a marcação do encontro com Camillo)

Leandro R: Bom dia, amigo. Estarei lá. Será no mesmo local?

Lessa: Ok, vamos nos falando. Estarei lá também.

Leandro R: Na esquina?

Lessa: Em frente à DP, dentro do restaurante.

Dia 12 de outubro de 2018, em outra conversa do dia, com início às 17h49m, um novo encontro entre Camillo e Lessa:

Camillo: Já cheguei. Almoçando na Tia Maria (restaurante próximo à delegacia)

Lessa: Encostando

Camillo: Quando chegar me avisando (avisa)

Camillo: (responde com sinal de positivo)

Lessa: É no canto da oficina, né?

Dia 12 de outubro de 2018, coversa começa às 17h52m:

Lessa: Cheguei aqui

Leandro R: Estou aqui na frente da delegacia. No restaurante.

Dia 15 de outubro de 2018, diálogo com início às 13h03m, uma nova reunião da dupla, desta vez, mudando o local. Para o MP do Rio, seria o acerto dos detalhes para a retirada das máquinas da delegacia: 

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Lessa: Bom dia, irmão, já estou aqui. Estou aguardando o rapaz chegar (responde com sinal de positivo)

Camillo: Estou no Camacha (lanchonete localizada na Barra da Tijuca, próximo à delegacia).

Dia 18 de outubro de 2018, iniciando às 14h07m. Depois de duas tentativas frustradas de buscar os seus equipamentos da delegacia, segundo o Gaeco, Lessa consegue o transporte e avisa a Camillo que o caminhão chegou:

Lessa: Estamos saindo de longe, mas esse horário estaremos aí

Camillo: (responde com sinal de positivo)

Lessa: Irmão, o caminhão está aí. Aliás, o rapaz me disse que está no local

Camillo: (responde com sinal de positivo)

Dia 19 de outubro de 2018, início da conversa às 15h49m. Camillo diz que está à disposição de Lessa:

Camillo: Se cuida aí, irmão

Lessa: Olha isso, estou em carne viva (referindo-se à perna esquerda, na qual usa uma prótese)

Camillo: Qq (qualquer) coisa estamos às ordens

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Doria lamenta saída de Moro e chama Bolsonaro de vírus

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Em coletiva nesta sexta-feira (24), o governador João Doria (PSDB) se posicionou sobre a saída de Sergio Moro do ministério da Justiça. O governador foi extremamente crítico às posições do presidente Jair Bolsonaro e chegou a compará-lo a um vírus. 

Governador de São Paulo, João Dória arrow-options
Agência Brasil

Governador de São Paulo, João Dória

“A saída de Sergio Moro é um golpe na justiça, um golpe na liberdade e um golpe na democracia do Brasil. E lamento muito que nosso país tenha que combater e lutar contra dois vírus: o coronavírus e o outro vírus, que está no Palácio do Planalto em Brasília”, declarou.

Doria teceu diversos elogios ao ex-ministro e afirmou que o estado de São Paulo reconhece o trabalho de Moro, que, segundo o governador, “ajudou a mudar a historia do país ao conduzir a operação lava-jato.”

“Foi republicano, correto, agiu de forma diligente com as autoridades de segurança pública e da justiça de São Paulo”, disse. “É lamentável que tenha tido a decisão amparada nessas circunstâncias para deixar a posição de ministro de Estado, da justiça e da segurança pública”, completou.

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“Quando a investigação é isenta, só tem esse resultado”, diz Flávio Bolsonaro

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Jefferson Rudy/Agência Senado

Senador Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (RJ) comentou nesta segunda-feira (3), em São Paulo, o inquérito que o livrou das suspeitas de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O filho do presidente afirmou que “quando a investigação é isenta, só tem esse resultado possível”. 

De acordo com informações do jornal  Folha de S.Paulo , a PF já concluiu que não há indícios de que Flávio Bolsonaro  tenha cometido os crimes. O inquérito apura as negociações de imóveis feitas pelo filho mais velho do presidente e também a declaração de bens dele na eleição de 2018.

Segundo a Folha, as conclusões da PF são diferentes das de um outro inquérito realizado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que apura a prática de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa.

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Jair Bolsonaro, por sua vez, preferiu não comentar o caso. Questionado por jornalistas após o mesmo evento, o presidente afirmou: “Pergunta pra PF, não me meto em questões do Judiciário”. 

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Fux convoca audiências públicas no STF para debater juiz de garantias

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Luiz Fux, que convocou audiência pública sobre juiz de garantias arrow-options
Divulgação

Ministro Fux assumirá presidência do Supremo no lugar de Dias Toffoli

O ministro Luiz Fux , do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou nesta segunda-feira (3) audiência pública para a discussão da norma do juiz de garantias com especialistas e integrantes da sociedade. As audiências serão nos dias 16 e 30 de março, das 9h às 18h. O ministro abriu inscrição pela página do tribunal na internet para interessados em participar do evento.

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Além disso, Fux determinou a expedição de convites a diversas autoridades – entre elas, os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP); o advogado-geral da União, André Mendonça; o ministro da Justiça, Sergio Moro; e o procurador-geral da República, Augusto Aras. Também foram convidados o diretor-geral da Polícia Federal, os presidentes de tribunais e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

Depois de realizadas as audiências públicas , o ministro vai elaborar um voto e submetê-lo a votação no plenário no STF. Ainda não há data prevista para isso acontecer, mas a expectativa é de que seja ainda neste semestre.

A regra do juiz de garantias está expressa na Lei Anticrime , aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República em dezembro. Em novembro, durante o recesso, o presidente do STF, Dias Toffoli, adiou o cumprimento da norma por seis meses, para o Judiciário se adaptar à novidade. Na semana seguinte, também no recesso, Fux revogou a decisão do colega e suspendeu a regra por tempo indeterminado.

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Pela norma, o juiz de garantias é responsável por conduzir a fase inicial das investigações. A partir de recebida a denúncia, o caso passa a ser conduzido por outro juiz, que decidirá se o réu é culpado ou inocente. A intenção da regra é dar mais imparcialidade às decisões judiciais.

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