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Gazeta Digital

Roberta DAlbuquerque

DivulgaçãoColunista

Minhas filhas viajaram na manhã de ontem para encontrar a avó, os tios e primos. Uma tradição das férias que se repete desde o primeiro ano de vida da mais velha. Nos últimos 4 anos, embarcam sozinhas. Penso que parte da graça da programação está no trajeto de 3 horas que separa São Paulo e Recife que, embora mediado pelo serviço de menores desacompanhados da companhia aérea, dá à viagem todo um ar de independência ou morte.

Eu classificaria a experiência – do meu lugar de mãe – como absolutamente tranquila. A distância é curta, elas se viram bem longe da supervisão (que palavra, não?) de adultos. Mas esta é a minha versão pós mensagem de “Mãe, chegamos e já estamos com a vovó” falando. A versão anterior vive uma pequena angústia. Como se pequena e angústia pudessem conviver tranquilamente em uma mesma frase.

A verdade é que a versão anterior, posterior, atual se vêem diante da passagem do tempo sempre que as férias se aproximam. A cada ano, observo uma marca de crescimento sendo ultrapassada. A cada ano, é preciso decidir menos, palpitar menos, inclusive nas datas, nas buscas das passagens, nas malas, na programação. E claro, as marcas são comemoradas, valorizadas por aqui. Crescer é conquista. Mas crescer demanda também um retirar-se que tem seu custo, tem seus truques.

Ontem minha filha mais velha mandou uma segunda mensagem. Era 1h30 da manhã: “Mãe, esqueci o código da mala. E agora?”. Eu fiquei enternecida. Pensei o dia inteiro sobre códigos. Quais são os códigos para as novas situações que a maternidade nos apresenta. Quais são os truques para estar no papel de mãe de adolescentes? E de adultos? E para não ser, nem que seja por uma semana? Para não estar? Já sabemos a resposta, claro. Não há código ou truque. Há de ser mesmo não estando. Sempre.

Em tempo, achamos um sem número de vídeos para resolver a questão da mala. Resolvida está.

 

Roberta D’Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: [email protected]

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SÉRIE HISTÓRICA NOVA XAVANTINA – Quem foi Couto Magalhães

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Wande Alves Diniz

Fundador da cidade de Várzea Grande/MT dá o nome a uma das principais avenidas de Nova Xavantina, mesmo tendo falecido muito antes da fundação da Cidade.

O site O Roncador lança nesta sexta-feira, 25/01, a SÉRIE HISTÓRICA NOVA XAVANTINA que irá mostrar quem foram as personalidades que deram nomes para os órgãos públicos, praças, ruas e avenidas de Nova Xavantina, serie que será escrita pelo jornalista e advogado Wande Alves Diniz, com o objetivo de proporcionar aos cidadãos xavantinenses um prévio conhecimento sobre a história das pessoas que foram homenageadas em nossa Cidade, gravando os seus nomes nos logradouros públicos.

A avenida Couto Magalhães foi a primeira rua aberta no setor Nova Brasilia, ainda na época da Marcha para o Oeste, dando continuidade a rodovia BR 158. Por muitos anos a avenida Couto Magalhães foi a única via de acesso ao norte do estado de Mato Grosso, ligando Barra do Garças ao estado do Pará.

Couto Magalhães morreu muito antes da fundação da vila de Xavantina.

QUEM FOI COUTO MAGALHÃES?

Escritor mineiro, folclorista, José Vieira Couto de Magalhães nasceu em Diamantina, Minas Gerais, no dia primeiro de novembro de 1837, e faleceu no Rio de Janeiro no dia 14 de setembro de 1898. Seus restos mortais estão sepultados no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

Filho do capitão Antonio Carlos Magalhães e Tereza Antônia do Prado Vieira Couto, cursou o Seminário de Mariana e a Faculdade de Direito de São Paulo. Exerceu o cargo de Secretário do Governo de Minas Gerais entre 1860 e 1861. Foi Presidente das Províncias de Goiás Pará, Mato Grosso e São Paulo. Ao irromper a Guerra do Paraguai, foi designado à Presidência de Mato Grosso; impediu que da Bolívia viessem reforços para o Paraguai.

Tendo os Paraguaios invadido Mato Grosso, foram derrotados por Couto Magalhães em Alegre e Corumbá. É o iniciador dos estudos folclóricos no Brasil. Ao ser proclamada a República no Brasil, preferiu permanecer no seu regime antigo, e afastou-se da política. No seu desempenho como presidente do Mato Grosso, na ocasião da Guerra do Paraguai, foi homenageado com o título de Brigadeiro Honorário do Exército. Suas obras como escritor são: “Anchieta e as Línguas Indígenas”, “Viagens ao Araguaia”, “Os Guaianases ou a Fundação de São Paulo”, “Revolta de Felipe dos Santos em 1720” e o “Selvagem”, obra escrita a pedido de D. Pedro II para figurar na Exposição de Filadélfia em 1876. Seu nome era: José Vieira Couto de Magalhães.

Presidente

 Estava-se no liminar de 1863. Alguém bate à porta do velho solar do boêmio de Ouro Preto, em Catalão. Bernardo deixa o pinho, que dedilhava varrendo as mágoas, e vai abrir a porta. O visitante é o general José Vieira Couto de Magalhães, outro mineiro, este de Diamantina. Couto de Magalhães por ali passava a caminho da capital goiana, onde, então, assumiria a presidência daquela província central, em substituição a João Bonifácio Gomes de Siqueira. Profundo admirador que era do poeta com provinciano, pretendeu hospedar-se em casa do boêmio — coisa de todo impossível, pois o escritor, que dormia numa velha rede, não dispunha de outra mobília além de um tamborete e uma pequena mesa. Não havia cama na casa, não podendo oferecer ao digno e ilustre Presidente a menor e mais modesta acomodação.

O hóspede, que chegava de estafante viagem, pediu logo água para saciar sua grande sede. Contam biógrafos e cronistas que Bernardo, depois de muito demorar-se no interior da casa, serviu a água ao eminente visitante num velhíssimo bule sem bico nem asa, enferrujada e já de cor indefinida, com o orifício, do qual saíra o bico, tapado com uma bolota de cera, amassada a dedos.

Couto de Magalhães resolveu hospedar-se em casa do Coronel Paranhos, que, desde muito,  se havia preparado para esse fim. Esse episódio teve a confirmação do provecto general.

Poliglota

Saindo de Minas e foi complementar seus estudos em São Paulo, matriculando-se na Academia de Direito enquanto lecionava filosofia no Mosteiro de São Bento, onde teve como aluno, Prudente de Morais. Escritor poliglota escreveu vários livros e homem de grande valor, exerceu, antes dos 31 anos, importantes cargos no império como as presidências das províncias de Goiás, Pará e Mato Grosso. Foi herói na Guerra do Paraguai, durante a qual, como presidente do Mato Grosso, reconquistou Corumbá. O governo ofereceu-lhe, por sua bravura, o título de Barão de Corumbá, que recusou para aceitar, orgulhoso, o de General Brigadeiro. Foi pioneiro na navegação dos rios Araguaia e Tocantins, tendo sido capaz de desmontar um vapor no rio Paraguai e transportá-lo pelo sertão, abrindo estradas e construindo pontes, até o Araguaia. Amigo e estudioso da cultura indígena conheceu e contribuiu para a catequização de dezenas de tribos, de várias nações.

Monarquista, fiel, governava São Paulo quando foi proclamada a república. Os primeiros emissários do novo governo não o convenceram a entregar o cargo. Dias depois, porém, seu ex-aluno, Prudente de Morais, o substituía.

Prisão

Em 1893 o governo de Floriano Peixoto mandou prendê-lo por ter doado parte de sua fortuna para a fundação de um hospital destinado aos revoltosos da armada e do Rio Grande do Sul. Na prisão, sua saúde se debilitou e lhe foi facultado ir para a Europa, para tratamento. Volta aos 61 anos e falece aos 14 de setembro de 1898. Seus despojos descansam no cemitério da Consolação, em São Paulo.

Nasceu em Diamantina em novembro de 1837. Acredita-se que por volta dos 10 anos tenha ido estudar  no Seminário do Caraça ou no de Mariana.Mais tarde foi para São Paulo e estudou na Academia de Direito enquanto  lecionava Filosofia no Mosteiro de São Bento, onde teve como aluno Prudente de Morais.

Secretário

Em 1860 ocupou o cargo de Secretário do Governo de Minas, tendo, a partir de então, uma vida de intensas atividades, incluindo a participação na Guerra do Paraguai.

Após a Guerra do Paraguai, na qual participou da batalha de reconquista de Corumbá dos paraguaios, ganhou do governo imperial o título de Barão de Corumbá. Mas o recusou, preferindo o de General Brigadeiro.

Antes dos 31 anos já havia ocupado cargos de presidente das Províncias de Goiás, Pará e Mato Grosso. A partir de então, se interessa pela região e faz uma fantástica viagem de circunavegação, subindo o Tocantins e navegando a leste do Araguaia.

Com uma visão empreendedora, obteve do governo uma concessão para uma organizar uma empresa de navegação para o Rio Araguaia.  Em uma arrojada iniciativa, desmontou um vapor do rio Paraguai e, abrindo estradas e fazendo pontes, o transportaram  em 14 carros de bois por um percurso  de 600 quilômetros . Em uma pedra às margens do Rio Araguaia foi inscrito em tupi: “sob os auspícios do Sr. D.Pedro II passou um vapor da bacia do Prata e do Amazonas e veio chamar à civilização  e ao comércio os sertões do Araguaia com mais de 20 tribos, no ano de 1879.” Depois, adquiriu mais dois vapores: o Colombo e o Mineiro.

“Louco e visionário”, assim era tratado pela imprensa da época, que lhe vazia as mais virulentas críticas.

Quando foi proclamada a República, ocupava o cargo de Presidente da Província de São Paulo. Nessa época, a saúde mental estava abalada e viaja para a Europa em busca de tratamento.

Em 1893 já havia retornado ao Brasil. Por ter doado parte de sua fortuna para a fundação de um hospital de sangue para os revoltosos da Armada e do Rio Grande do Sul foi, então, preso.  Como seu estado de saúde não era bom, Floriano Peixoto permitiu que Couto Magalhães retornasse à Europa.

Volta mais uma vez ao Brasil, vindo a falecer em 14 de setembro de 1898. A companhia de navegação encerra suas atividades em 1900 e o patrimônio é colocado em hasta pública, mas nunca encontrou um comprador. Os 3 vapores ficaram abandonados no Porto Leopoldina e, assim, eles e os  sonhos de Couto Magalhães  foram corroídos pelo tempo .

Couto Magalhães foi uma pessoa de  extrema atividade intelectual. Adorava o estudo de línguas estrangeiras e indígenas; estudou física, mecânica e astronomia, inclusive seus instrumentos para experiências científicas acabaram sendo doados ao Instituto Politécnico de São Paulo. Fundou o Clube de Caça e Pesca de São Paulo e organizou a Sociedade Paulista de Imigração.

Fundação

Registra – se na história que a fundação de Várzea Grande, conforme a história aconteceu no dia 15 de maio de 1867. Na ocasião, homem de confiança do imperador Dom Pedro II, José Vieira Couto Magalhães, criou por decreto um acampamento militar que servia de prisão para os paraguaios na margem direita do Rio Cuiabá, de frente com a capital. Era tempo da fatídica Guerra do Paraguai, e na verdade, o que se deu foi a permanência da tropa de veteranos de guerra para cuidar de cidadãos paraguaios que moravam em Cuiabá e cercanias.

Patrono e Poeta

José Vieira Couto Magalhães é Patrono, fazendo parte da história da Academia de Letras, na Cadeira 31 da Academia Tocantinense de Letras, Cadeira 11 da Academia Sul Mato-grossense de Letras, e a Cadeira 19 na Academia Mato- grossense de Letras. Entre suas obras escritas, conforme a história, estão Viagem ao Rio Araguaia ( 1863), O Selvagem ( 1876) e Ensaios de Antropologia ( 1894).

pesquisa no site: http://www.varzeagrande.mt.gov.br/conteudo/10862

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O acordo ortográfico em Portugal

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Gazeta Digital

Luiz Carlos Amorim

Divulgação

Escrevi e publiquei o texto abaixo em 2014, mas volto a publicá-lo porque chego mais uma vez em Portugal, esta terra fantástica, e encontro manifestações do povo contra o Acordo Ortográfico de 1990, adotado no Brasil a partir de 2016. Em Portugal ele teria sido adotado em 2009, mas há polêmica quanto a essa data, em razão da não publicação em tempo hábil do Diário Oficial de Portugal. Mas a verdade é que o Acordo nunca foi totalmente assimilado no país, pois a maioria não quer mudar a maneira de falar nem de escrever. E os portugueses pedem para revogar o documento, com a Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico, tendo conseguido já o número de assinaturas necessárias para encaminhá-la.

Então, bem antes disso, um artigo, muito interessante, sobre o fato de o Acordo Ortográfico e a Unificação da Língua Portuguesa – essa pretendida “unificação” não tem como ser levada a efeito – não ter melhorado o acesso do livro português no mercado brasileiro, me chama muito a atenção: “Ao estabelecer uma ortografia unificada, o acordo ortográfico iria facilitar a circulação do livro português no Brasil. E a circulação de livros de um país lusófono nos outros.  Este foi, entre muito outros, um dos argumentos brandidos em favor da sua aplicação. Agora que, tanto em Portugal como no Brasil, boa parte das editoras adoptaram o acordo, essa promessa começa já a concretizar-se? A resposta parece ser negativa.” O texto é de origem portuguesa, está num apanhado de clips sobre livro e literatura, mas não identifica o órgão publicador.

Uma afirmação de Pedro Benard da Costa, da legendadora portuguesa Cinemateca, fecha o texto – que não é pequeno, com depoimentos de editores e livreiros portugueses: “A construção gramatical é completamente diferente e há muitas palavras que não têm o mesmo sentido cá e lá.”

Pois venho escrevendo sobre isso há anos, ponderando que o Acordo Ortográfico não significa que haverá, automaticamente, uma unificação da língua portuguesa em todos os países onde ela é falada. Existem muitas palavras que têm significado diferente aqui e em Portugal, por exemplo, mas é possível que isso aconteça na comparação com outros países, como Cabo Verde, Angola, etc. Lá fora existem muitas palavras que são não usadas aqui e vice-versa. Uma alteração quase que exclusivamente de acentuação não resolveria as diferenças de significação, o que não inviabiliza a leitura dos livros portugueses no Brasil. O que incomoda é a pretensão de alguns dos promotores do acordo em querer que o português seja exatamente o mesmo, independente do país onde ele é falado. Se até dentro do mesmo país, há diferenças na maneira de falar o português – isso acontece no Brasil -, como esperar que a língua seja a mesma em vários países onde ela é a língua oficial, tão distantes uns dos outros? A linguística existe e vai continuar existindo sempre, não há como ser diferente.

Tenho lido vários autores portugueses, como José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Miguel Torga, Saramago e o angolano Valter Hugo Mãe, angolano que vive em Portugal, e não tenho tido dificuldade na compreensão dos textos, apesar de serem livros publicados em Portugal e, por isso, conter palavras desconhecidas. O contexto permite que se entenda perfeitamente o assunto. Não tenho dicionário português que não seja o nosso aqui do Brasil, mas posso pesquisar na internet, se for o caso.

Aliás, como já sabemos através dos clássicos portugueses mais conhecidos no Brasil, Pessoa e Camões, a literatura portuguesa é rica e de qualidade. Quem conhece os autores contemporâneos citados acima sabe do que estou falando, pois são autores consagrados em Portugal, com obra extensa e largamente premiada. Vale a pena conhecer. O português não é exatamente o mesmo que o nosso, há diferenças, sim, mas não há necessidade de tradução para publicação da obra de autores portugueses aqui, porque a compreensão é completamente possível.

Luiz Carlos Amorim é fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA em SC, com 38 anos de atividades e editor das Edições A ILHA. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras.

 

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Qual a sensação de ter um pai?

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Um proverbio popular diz que “o homem só se realiza quando casar, tiver filhos, plantar uma árvore e escrever um livro”.

Posso garantir, por experiência própria, que este ditado popular não reflete a verdade. Sou advogado, jornalista e, na luta pela sobrevivência, já exerci muitas outras atividades laborais; já me casei algumas vezes, tenho 5 (cinco) filhos, já escrevi e publiquei um livro, além de inúmeros artigos publicados em sites e jornais e plantei milhares de árvores, e mesmo assim, continuo buscando minha realização pessoal. Casar, ter filhos e plantar árvores não foram suficientes.

Quando estava na faculdade de direito em Cuiabá/MT, fiz uma pesquisa para escrever um livro sobre a vida de moradores de rua, porém, por falta de recursos o livro ainda não foi publicado. Durante a pesquisa visitei, por mais de 02 (dois) anos, os moradores de rua da cidade de Cuiabá e Várzea Grande, na estado de Mato Grosso. Na época era fácil encontrar moradores de rua nas cidades de cidade de Cuiabá e Várzea Grande.

Um dos locais onde viviam vários moradores de rua na cidade de Cuiabá era o viaduto da rodoviária, na avenida Miguel Sutil, onde moravam mais de 20 (vinte) mendigos, entre eles, menores de idade e uma menina de 14 anos grávida, todos vivendo em condições desumanas, sem a ajuda do Poder Público, sem nenhuma estrutura básica, sem sanitários, água ou qualquer outra benfeitoria. Todos dormiam no chão, sem colchão, sem cobertores e para se alimentarem catavam restos de comida no lixo.

Eu e minha colega de faculdade, doutora Daniele Martins, fazíamos campanha de arrecadação de roupas e alimentos e nas manhãs de sábados, fazíamos visitas e distribuíamos os alimentos e roupas, com o fim de adquirir a confianças e fazer a pesquisa para a publicação do livro.

Numa dessas visitas podemos perceber que, muito mais que uma cesta básica, cobertores, roupas ou dinheiro, eles precisavam de compreensão. Em uma daquelas visitas levei meus filhos, na época com 12 e 15 anos e para a minha surpresa, um dos moradores, aparentando ter 20 (vinte) anos de idade e namorado na menina grávida, estava deitado em uma rede amarrada nas colunas do viaduto, chamou meu filho para conversar. Meu filho, temeroso, pediu minha autorização e aproximou-se do rapaz, que por um momento o encarou sem nada dizer.

Apurei, depois, que o rapaz não conheceu seus pais e foi abandonado nas ruas da cidade de São Paulo aos 02 (dois) anos de idade e para sobreviver nas ruas praticou muitos delitos, inclusive o crime de latrocínio, roubo e tráfico de drogas. Sem desviar a atenção para meu filho, após alguns minutos, com os olhos cheios de lagrimas e com a voz presa, perguntou para o meu filho: “ou, menino, me responde, qual é a sensação de se ter um pai?”. Houve um silêncio sepulcral entre o dialogo dos dois, meu filho não conseguia responder e o rapaz olhava para meu filho desesperado aguardando a resposta que não saiu.

Enquanto houverem pessoas abandonadas, morando nas ruas, passando fome, vivendo sem nenhuma dignidade enquanto outros vivem com todo o conforto, com muita fartura, com toda segurança e dignidade, certamente o o homem não se realizará. Não adianta casar, ter filhos, plantar arvores e escrever livros, é preciso muito mais, é preciso, acima de tudo, haver solidadriedade, compreensão e respeito com o próximo.

 

Wande Alves Diniz é advogado em Nova xavantina

[email protected]

 

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