conecte-se conosco


Esportes

Exclusivo: Muricy visita memórias, fala de nova vida e saudade do pai e de Telê

Publicado

Muricy Ramalho arrow-options
SporTV/Divulgação

Muricy Ramalho

O trabalho sempre foi tudo pra mim.

Tudo que eu consegui foi com muito trabalho. Eu tive de trabalhar muito porque eu não abria mão de algumas coisas. Tive de trabalhar o dobro para vencer no futebol.

Meu pai não me viu treinador. Quando ele morreu, eu ainda jogava. Jogava no México e, justamente por estar trabalhando, não pude nem ir ao enterro. Ele com certeza tem muito orgulho de mim.

Leia também: Torcedor do Flamengo rifa ingresso da semi para salvar seu cachorro da morte

Meu pai sempre foi o grande incentivador da minha carreira. Me via jogar quando eu ainda era molequinho, na Vila Sônia, um bairro aqui de São Paulo . Me ensinava a chutar a bola e a construir meu caráter. Virei gente grande quando o abraço dele ainda era muito maior do que o meu corpo.

Nosso ídolo era o mesmo: o Ademir da Guia. Era realmente muito diferente. Elegante e educado dentro de campo. Aí, depois, veja como é a vida: eu fui jogar com o Ademir na seleção paulista. Foi o máximo. Ainda ficamos concentrados no mesmo quarto. A primeira coisa que fiz foi telefonar para o meu pai.

E não era fácil telefonar naquela época. A comunicação era bem complicada. Eu liguei pedindo ajuda pra telefonista, a Angelina, do Morumbi. “Pai, eu estou no mesmo quarto do Ademir. Acredita nisso?”. Ele ficou muito orgulhoso. Mas eu queria ter provado mais. Ter deixado ele ainda mais orgulhoso de mim.

Queria que meu pai tivesse visto o São Paulo apostando no filho dele como treinador. Queria que ele tivesse visto o melhor técnico da história do futebol brasileiro me preparando para o lugar dele. O Telê Santana começou a ter problema de saúde e me ensinou tudo antes de partir. Antes de encontrar com meu pai lá em cima.

Meu pai nem chegou a conhecer o expressinho. E já faz mais de 20 anos. O tempo passa rápido demais.

Muricy Ramalho no São Paulo arrow-options
Site oficial

Muricy Ramalho no São Paulo

Cheguei ao São Paulo com oito ou nove anos. Meu tio me levou pra lá. Achava que eu levava jeito pro futebol. Foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. A gente se identifica muito com o lugar, com as pessoas. Virei Tricolor de garoto. Levo a imagem daquele tempo no rosto de cada amigo que ficou. Tenho vários que também jogaram comigo. Não passaram com o tempo. Ficaram.

Do Telê eu fui auxiliar e jogador. Mas quem deu a primeira chance foi o Oswaldo Brandão. Isso meu pai viu! Eu tinha meus 16, 17 anos. Fiquei nervoso pra caramba. Tinha muita gente boa lá: Gerson, Pedro Rocha. Só feras mesmo. Não era como hoje que as pessoas estão sempre juntas. Era muito separado, muita gente famosa. Senti demais o começo e depois a gente vai se acostumando.

Só nunca me acostumei com a ideia de perder meu pai e o Telê. Acho que o Telê ficaria satisfeito com o que eu virei. Infelizmente ele não acompanhou tudo, mas viu o título da Conmebol, com o expressinho.

Mas sabe o que mais me dói? Eles não me viram dando a volta olímpica com o Pelé, em 2011, depois do título da Libertadores pelo Santos.

Muricy Ramalho no Santos arrow-options
Divulgação

Muricy Ramalho no Santos

Em 70 eu vi o Pelé dando a volta olímpica com o Rivellino. E eu era o Rivellino nas peladas da rua, na Vila Sônia. Foi a Copa da minha vida. A mais marcante de todas.

E pouco mais de 40 anos, lá estava eu: sem meu pai pra ver. Sem o Telê pra orientar.

Quando fui campeão brasileiro com o Fluminense, em 2010, eu sonhei com o Telê. Foi a única vez que isso aconteceu. Um dia antes do último jogo, o Telê conversou comigo no meu sonho. E foi muito estranho: ele estava rindo bastante, feliz. E ele não era assim, de ficar dando muita risada. Era um aviso.

De manhã, quando acordei, fui confiante.

Graças a Deus as pessoas lembram de mim com carinho. Por todos os clubes por onde passei, sem exceção. Sempre respeitei os lugares, os profissionais. Mas você sabe: o São Paulo tem uma coisa diferente.

Eu voltei pra ajudar o São Paulo a não ser rebaixado em 2013. Nunca negaria um pedido desses. As coisas andaram bem. Mas em 2014…

De repente, o quarto escureceu. Estava em um lugar fechado e cheio de aparelhos, entubado. Não tinha contato com ninguém. Estava isolado com médicos e enfermeiros. Via em uma tela os batimentos do meu coração. Com diverticulite, do nada, estava na UTI.

Minha esposa pediu várias vezes para eu parar. Mas você me conhece: o trabalho sempre foi tudo pra mim.

Na segunda vez, já no Flamengo, prometi: pararia se conseguisse me recuperar. Agora de arritmia.

Consegui. Deixei a carreira. Não foi fácil.

Aliás: nada na minha vida foi fácil, meu filho.

Muricy Ramalho no Flamengo arrow-options
Divulgação

Muricy Ramalho no Flamengo

Se antes eu ficava nervoso, me estressava, me cobrava… agora é o oposto. É como se eu vivesse sempre em Ibiúna, onde sempre fui descansar. Minha esposa ficou feliz com essa decisão.

Eu não queria terminar como o Telê terminou. Somos muito parecidos, mas priorizei minha saúde. Telê deu a vida pelo futebol. Eu quis manter o futebol na minha vida.

Mas em outra função.

Sou feliz como comentarista do SporTV.

Eu queria ser como o Telê em quase tudo: como pessoa e treinador. Só que eu não queria ficar doente no final da carreia, como ele ficou.

Leia também: Zagueiro anuncia aposentadoria da seleção francesa sem nunca ter sido convocado

Nunca esperava ter de parar e comentar jogos. Mas foi um convite e eu tô curtindo bastante. Tá gostoso. Estou no futebol novamente, viajo com o pessoal e aprendo muito.

Técnico nunca mais vou ser. Quem sabe, bem no futuro, um coordenador de alguma coisa. Mas treinador, não.

Tem vezes que a gente precisa parar. Mas gente como eu para sempre pra recomeçar de alguma forma. Se reinventar. Trabalhar.

No dia em que eu morrer e encontrar meu pai e o Telê, lá no céu, vou dizer que senti muita saudade. Tudo que eles me ensinaram eu realmente coloquei em prática.

Ganhei.

E não ganhei sozinho. Ganhei com eles.

Ganhei com quem me fez ganhar a vida.

*Texto de Guilherme Cimatti após entrevista com Muricy Ramalho

Comentários Facebook
publicidade

Esportes

Covid-19: Virna, medalhista olímpica no vôlei, testa positivo

Publicado


.

A ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei, Virna Dias, testou positivo para o novo coronavírus (covid-19). A informação foi dada pela ex-atleta, que publicou um um vídeo em sua conta do Instagram ontem (31). A medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e Sidney (2000) esclareceu que pertence ao grupo dos assintomáticos e já iniciou o período de isolamento..

“Hoje eu não tenho uma notícia boa para vocês, acreditam que eu estou com covid-19? Estou assintomática, não sinto nada, graças a Deus. Já estou isolada no meu quarto, vou ficar aqui 15 dias quietinha. Estou sendo acompanhada por um infectologista, que está me dando todo o suporte, mas estou muito bem. Eu quero pedir encarecidamente para vocês se cuidarem.”

O isolamento não impedirá Virna de realizar hoje (1º de junho), às 21h, uma live (tranmissão ao vivo) no Instagran, com a cubana Mireya Luís. Ambas defenderam  suas respectivas seleções no anos de 1990, quando Brasil e Cuba protagonizavam uma das maiores rivalidades do esporte.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Comentários Facebook
Continue lendo

Esportes

Covid-19: Federação atesta 1ª morte de jogador de futebol na Bolívia

Publicado


.

A Federação Boliviana de Futebol (FBV) confirmou oficialmente a primeira morte de um jogador profissional no país vítima do novo coronavírus (covid-19). Deibert Román Guzmán, de 25 anos, faleceu no último dia 19, mas somente ontem (30) a FBV ofcializou falecimento do atleta. Ele defendia o Clube Universitário de Beni, da segunda divisão do campeonato nacional. Até ontem, a Bolívia registrava 9.592 casos confirmados e 310 mortes por covid-19.

 

No último domingo a FBF, por meio de sua conta no Twitter, já hava homenageado o atleta, com a mensagem: “A Federação Boliviana de Futebol expressa suas sinceras condolências à família e aos amigos de Deibert Román Guzmán, pedindo a Deus renúncia e força nesses tempos difíceis”.

Apesar do primeiro caso fatal, a entidade manteve agendada para a próxima sexta-feira (5) uma reunião com dirigentes de clubes para discutir a retomada da primeira divisão campeonato nacional, suspenso desde o dia 16 de março devido à pandemia.

Em entrevista à Agência Brasil, o jornalista Rainer Alberto Duran Urquizu, do jornal El Deber, de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), afirmou que ainda não há consenso sobre o retorno dos treinos presenciais. “A ideia dos clubes é continuar o campeonato, mas a direção da FBF ainda não tem uma definição, alguma data para tentativa [de retorno], alguma proposta. Isso gerou alguns protestos de dirigentes de diferentes clubes, que questionam o porquê de a Federação ainda não estar trabalhando neste sentido. Então, na sexta-feira é muito possível que se esclareça o panorama. A FBF criou uma comissão que está elaborando um protocolo para voltar os treinos e retomar o campeonato”.

Urquizu alerta ainda para a vulnerabilidade dos atletas, tendo em vista que não podem contar com um tratamento diferenciado em relação a qualquer outro cidadão que tenha sido infectado no país.

“O tratamento que os jogadores de futebol e atletas, em geral, recebem na Bolívia, nestes casos de covid-19, até onde temos conhecimento, é igual para qualquer outra pessoa. Não existe um tratamento preferencial. As condições na Bolívia não são das melhores, os hospitais estão saturados”, revela o jornalista. 

A competição nacional foi interrompida na 12ª rodada, com o The Strongest na liderança (21 pontos). Segundo Urquizu, está previsto para o próximo dia 10 de junho, um anúncio do Ministério dos Esportes da Bolívia comunicando as datas de retorno das práticas esportivas no país. 

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Comentários Facebook
Continue lendo

Esportes

Fluminense confirma contratação de Fred, ídolo da torcida tricolor

Publicado


.

O Fluminense anunciou neste domingo (31), a contratação do atacante Fred, que vestiu a camisa do Cruzeiro na última temporada. Esta será a segunda passagem do jogador pela equipe tricolor:  a primeira ocorreu entre 2009 e 2016. Neste período, ele se tornou o terceiro maior artilheiro da história do clube, com 172 gols em 288 jogos, ficando atrás somente de Waldo (319) e Orlando Pingo de Ouro (184). Em nota oficial, publicada no site do Tricolor, o presidente Mário Bittencourt, comemora o retorno do ídolo, que aceitou uma redução salarial enquanto o Campeonato Brasileiro não iretorna, em decorrência da pandemia do novo coronavírus (covid-19). 

“Trazer de volta um ídolo como o Fred é realmente muito especial, ainda mais para ajudar na reconstrução do Fluminense. É importante destacar que o atleta está totalmente ciente desse nosso momento, entendendo essa nossa atual realidade. Prova disso é que, enquanto o Campeonato Brasileiro não se iniciar, o jogador abrirá mão da maior parte de seu salário para receber 2 salários mínimos.”

O clube ainda explica que a remuneração paga ao jogador será dividida em duas partes, uma fixa e a outra variável. Esta vai depender da venda da linha de produtos, ingresso de novos sócios torcedores, patrocínios exclusivos, venda de camisas e outros projetos de marketing. O contrato começa a valer já a partir de amanhã (1º de junho) e seguirá até até julho de 2021, data que será comemorada os 120 anos do Fluminense.

Após o anúncio, o atacante, de 36 anos, prometeu dedicação total à equipe carioca. “Vou dar vida com essa camisa e acho que estou voltando para um desafio muito grande na minha carreira. Mas não estou indo só pelo que eu já fiz, mas para provar mais uma vez que sou capaz de continuar jogando em alto nível para a nossa torcida, eles sabem que eu posso fazer isso por eles. Vou fazer de tudo, o possível e o impossível, para fazer o Fluminense melhor e conseguir vitórias a cada jogo. Podem ficar tranquilos que estou me doando no dia a dia 100% para fazer meu melhor e a gente comemorar muita coisa juntos” 

Ação beneficente na volta ao RJ 

Na tarde deste domingo (31), durante transmissão da TV Globo, que reprisou o tetracampeonato do Flu no Brasileirão de 2012, Fred revelou que voltará pedalando  de Belo Horizonte (MG) até o CT Tricolor no Rio de Janeiro, um percurso de aproximadamente 400 quilômetros. A iniciativa faz parte de um projeto para ajudar famílias carentes. 

“Antes desse projeto funcionar, já tenho alimentos para ajudar mais de três mil famílias. E também vou lançar o desafio: para cada quilômetro que percorrer, também vou doar cesta básica. A torcida do Fluminense é muito solidária, o povo brasileiro é muito solidário, e estamos conseguindo através das redes sociais, do esporte de alguma forma, levar alegria e ajudar alguém”.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Comentários Facebook
Continue lendo

Nova Xavantina

Policial

Política MT

Mato Grosso

Mais Lidas da Semana