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Ministério da Saúde monitora síndrome em crianças associada à Covid-19

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Ministério da Saúde monitora síndrome em crianças associada à covid-19
Pixabay/Reprodução

Ministério da Saúde monitora síndrome em crianças associada à covid-19

O Ministério da Saúde informou que está monitorando uma nova doença que atinge crianças e pode estar relacionada ao novo coronavírus (Sars-Cov-2) . O órgão emitiu alertas e disse estar em diálogo com as secretarias estaduais e municipais de Saúde. Ainda não há evidências de que uma cause a outra, mas as autoridades avaliam a evolução da síndrome no país.

A síndrome inflamatória multissistêmica (SIM-P) ocorre em crianças de 7 meses a 16 anos . De acordo com o Ministério da Saúde, até julho foram notificados 71 casos, sendo 29 no Ceará, 22 no Rio de Janeiro, 18 no Pará e 2 no Piauí. Foram identificadas também três mortes no Rio de Janeiro. No mundo, até o momento foram relatados mais de 300 casos , em países como Espanha, França, Itália, Canadá e Estados Unidos.

Conforme as informações das secretarias de Saúde, parte dos pacientes apresentavam infecção pelo novo coronavírus ou tiveram Covid-19 anteriormente.

A SIM-P tem como sintomas febre duradoura juntamente com outras manifestações como pressão baixa, conjuntivite, manchas no corpo, diarreia, dor no abdômen, náuseas, vômitos e problemas respiratórios .

Vários destes coincidem com sintomas da Covid-19 , como febre, problemas respiratórios, manchas no corpo, diarreia e conjuntivite.

Nota de alerta

Em 20 de maio, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou uma nota de alerta com critérios para identificar os casos de SIM-P, entre os quais: paciente com febre persistente, marcadores laboratoriais de atividade inflamatória, com exclusão de outras causas infecciosas. A presença do coronavírus não seria obrigatória, sendo mais comum a presença de anticorpos.

A abordagem terapêutica, segundo a SBP, envolve o uso apropriado de EPI, terapia com antibióticos de acordo com os processos locais, coleta de exames complementares (como hemogramas com plaquetas, urina tipo 1 e eletrólito com bioquímica completa), painel viral respiratório, monitoração cardiorrespiratória precoce e monitoração também rigorosa dos casos de envolvimento miocárdico.

Estudos

O Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, iniciou um estudo para avaliar a relação entre a síndrome inflamatória multissistêmica e a Covid-19 em crianças . Os pesquisadores avaliam 11 crianças com idades entre 7 meses e 11 anos.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Brasil registra 363 mortes e mais de 16 mil novos casos de Covid-19 em 24h

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Mortes Covid-19
Alex Pazuello/Semcom

Conass atualiza painel de casos e mortes da Covid-19 no Brasil

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou mais 363 mortes causadas pelo novo coronavírus , fazendo o total subir para 136.895. Já o número de casos confirmados de contaminações chegou a 4.544.629. Desse total, 16.389 casos só de ontem para hoje.

A contagem de casos realizada pelas Secretarias Estaduais de Saúde inclui pessoas sintomáticas ou assintomáticas; ou seja, neste último caso são pessoas que foram ou estão infectadas, mas não apresentaram sintomas da doença.

O ranking de número de mortes segue liderado pelo estado de São Paulo, que tem 33.952 óbitos causados pela Covid-19 . O Rio de Janeiro continua em segundo lugar, com 17.677 mortes, seguido por Ceará, Pernambuco e Minas Gerais.

Desde o início de junho, o Conass divulga os números da pandemia da Covid-19 por conta de uma confusão com os dados do Ministério da Saúde. As informações dos secretários de saúde servem como base para a tabela oficial do governo, mas são publicadas cerca de uma hora antes.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Coronavírus: 7 avanços científicos conquistados em meio à pandemia

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BBC News Brasil

Ilustração de vírus em placas de petri

Getty/BBC

Há quanto tempo o novo coronavírus chegou para colocar nosso mundo de cabeça para baixo? O isolamento fez o ano passar mais rápido ou devagar? Quando chegará o “novo normal”?

A pandemia de coronavírus — que, aliás, foi declarada como tal pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há (apenas?) seis meses — está afetando de diversas formas nossa percepção do tempo.

E se tem um campo em que os limites do tempo parecem ter sido alterados de forma inédita foi o da ciência .

“Embora possa parecer uma eternidade, é um período (o da pandemia) muito curto para se obter avanços em pesquisas”, dizem os professores Begoña Sanz e Gorka Larrinaga, do Departamento de Fisiologia Humana da Universidade do País Basco, em conversa com a BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

E, ainda assim, os avanços estão acontecendo.

“A verdade é que a área de pesquisas está recebendo um grande estímulo de outros campos”, levando a “muitas mudanças pioneiras e revolucionárias”, afirma Miguel Pita, doutor em genética e biologia celular.

As profundas crises sociais, econômicas e de saúde causadas pela pandemia mobilizaram investimentos de milhões de dólares e o trabalho incansável de milhares de cientistas de todo o mundo — e, com isso, pelo menos sete aspectos da ciência já mudaram, de acordo com cientistas entrevistados pela reportagem.

1. Colaboração entre equipes

“O coronavírus promoveu a colaboração entre muitas equipes. E essa é uma notícia muito boa”, diz Pita, professor na Universidade Autônoma de Madrid.

“Os pesquisadores tendem a ser muito colaborativos, mas a pandemia foi um estímulo adicional. E os resultados têm sido compartilhados rapidamente para todos os grupos”.

Begoña Sanz e Larrinaga concordam.

“Obviamente, a pressão exercida pela gravíssima situação sanitária e socioeconômica mundial fez aumentar a colaboração de muitas universidades, grupos e centros de pesquisa”, explicam.

Profissional de saúde anda em ambulatóroi no Peru

Getty Images
‘Pressão exercida pela gravíssima situação sanitária e socioeconômica mundial fez aumentar a colaboração de muitas faculdades, grupos e centros de pesquisa’, dizem pesquisadores

2. Sequenciamento do vírus

Uma destas áreas com forte colaboração internacional é também uma das que registra “grandes avanços”, segundo Pita.

“De forma resumida, diria que, no campo da bioinformática, tem havido grandes inovações na análise de sequências do material genético de cada vírus que infecta as pessoas. Isso nos permite ver como ele evolui com o passar do tempo”, explica o pesquisador.

Desde que a China relatou a existência do novo coronavírus à Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de dezembro de 2019, até os primeiros dias de setembro, pesquisadores de todo o mundo registraram 12 mil mutações em seu genoma, de acordo com a revista científica Nature.

E o número cresce a cada dia.

Nas palavras de Pita: “A comunidade científica está colocando suas melhores ferramentas a serviço desta investigação — aumentando muito a capacidade de cálculo e de revisão das alterações genéticas do coronavírus.”

3. Testes

Enfermeira coleta material do nariz de um homem

EPA
Técnicas de diagnóstico também avançaram e se diversificaram na pandemia

Um dos grandes desafios no combate à covid-19 tem sido detectar pessoas infectadas a fim de isolá-las e, assim, conter a disseminação da doença.

Sobre isso, Pita destaca “o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico muito poderosas e que usam ferramentas de edição de genes — um elemento muito importante da genética hoje”.

O pesquisador reconhece que testes de diagnóstico rápido são “menos sensíveis” que os testes moleculares (PCR), e portanto muitos acabam não sendo confiáveis para a tomada de decisões, mas têm a vantagem de oferecer resultados imediatos e ajudar epidemiologistas a traçar um cenário sobre o avanço (ou não) da doença em determinadas comunidades.

Pita cita também o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico diferencial para distinguir o SARS-CoV-2 de outros vírus, “o que é de grande importância para o diagnóstico correto dos doentes e, portanto, para a escolha do tratamento”.

4. A corrida da vacina

O fato deste coronavírus e a doença que ele causa serem novos significa que ainda há muito desconhecimento sobre eles. Mas há algo que para os especialistas é evidente: a única maneira de chegar a uma imunidade coletiva é com uma vacina.

E o sucesso disto depende do cumprimento de alguns requisitos: é preciso encontrar uma candidata que se mostre eficaz, segura e passível de ser administrada à população de forma massiva, dizem Begoña Sanz e Larrinaga.

“Se, como diz a OMS, isso acontecesse em 2022 — embora nos pareça distante —, seria um grande sucesso, considerando o tempo que se levou para obter outras vacinas e aplicá-las em grande parte da população mundial.”

Na verdade, o prazo usual para o desenvolvimento de vacinas é de 15 a 20 anos; agora, pode ser que cheguemos a um recorde de um ou um ano e meio.

Isso foi destacado em um artigo publicado no mês passado no periódico JAMA e liderado por Paul Offit, um imunologista americano famoso por ter participado da criação de uma vacina contra o rotavírus.

O texto diz que o projeto de uma vacina contra o SARS-CoV-2 está caminhando em “velocidade vertiginosa”.

Três vidros com dose de vacina, ao lado de agulha

Reuters
Vacinas podem ser concluídas com sucesso em tempo recorde e, também, abrir caminho para métodos inovadores

Mas a novidade não está apenas no tempo, mas também nas diferentes metodologias utilizadas para o seu projeto — “algumas delas com características nunca antes consideradas”, diz Pita.

“São vacinas que, tendo eficácia comprovada, representariam um processo de produção industrial muito mais rápido do que de vacinas com desenhos clássicos — algo muito útil em uma situação como a atual (de pandemia)”, afirma o pesquisador.

O artigo no JAMA explica duas novas metodologias que estão sendo utilizadas no desenvolvimento das vacinas.

Uma é o das vacinas de RNA mensageiro (mRNA), que “nunca foram usadas comercialmente para prevenir infecções”, afirma o artigo. É o caso dos projetos da Moderna e também da parceria entre Pfizer e BioNTech.

A outra metodologia é baseada na modificação genética de uma família do vírus da gripe comum, como vem sendo testado pela Johnson & Johnson e pela parceria entre Universidade de Oxford e AstraZeneca.

“Semelhante às vacinas de mRNA, não existem vacinas disponíveis comercialmente para prevenir doenças humanas usando esta estratégia (da alteração genética). Seu uso clínico foi limitado a uma vacina licenciada contra a raiva animal”, diz o estudo publicado no JAMA.

De acordo com Offit e sua equipe, vários fatores como “a natureza trágica de uma pandemia em curso criaram um terreno fértil para a inovação”.

“Embora o sucesso definitivo de uma candidata, ou candidatas, a vacina ainda seja desconhecido, as mudanças na área das imunizações que estas exigentes circunstâncias trouxeram provavelmente vieram para ficar”, dizem os pesquisadores.

5. Outros tratamentos

Além da corrida por uma vacina, pesquisadores também estão dedicados ao desenvolvimento de tratamentos para pacientes infectados com o novo coronavírus — seja com medicamentos existentes, completamente novos, apostando no vírus como alvo ou no fortalecimento do sistema imunológico.

Há também terapias em teste que focam em diferentes fases da doença, desde as mais leves às mais graves.

A OMS monitora mais de 1,7 mil estudos com terapias em potencial pelo mundo, dos quais 990 já estão recrutando pacientes para experimentos.

A organização também coordena um projeto internacional, o Solidarity, que foca em três tratamentos promissores (e já existentes para outras doenças): remdesivir; lopinavir/ritonavir apenas ou associado ao interferon beta. Já foram recrutados 5,5 mil pacientes para estudos clínicos em 21 países. Segundo a OMS, “embora ensaios clínicos randomizados normalmente levem anos para serem elaborados e conduzidos, o Solidarity reduzirá o tempo gasto em 80%”.

6. Práticas de higiene

“Outro grande avanço, não diretamente relacionado às pesquisas nos laboratórios mas que é fundamental para o futuro, é a introdução na cultura dos cidadãos de certos hábitos de higiene e prevenção que ajudarão a conter este e outros surtos causados por vírus”, afirmam Begoña Sanz e Larrinaga.

É o caso do uso de máscaras e de se evitar locais com aglomeração, principalmente fechados, quando há pessoas com sintomas gripais.

Na verdade, estudos em diferentes países já mostram que as medidas tomadas contra a covid-19 tornaram a temporada de outras doenças respiratórias virais menos extensa e mortal.

Por exemplo, uma pesquisa publicada no mês passado no periódico British Medical Journal (BMJ) analisou dados sobre resfriados, gripes e bronquite de 500 clínicas na Inglaterra e descobriu que, em média, nove vezes menos casos foram registrados na comparação com os cinco anos anteriores.

7. A importância da ciência

Ilustração de coronavírus atacando célula

Getty Images
Ilustração de coronavírus atacando célula; para pesquisadora, pandemia colocou ciência e sociedade ‘mais próximas do que nunca’

Para Mercedes Jiménez Sarmiento, bioquímica do Centro de Pesquisas Biológicas Margarita Salas, na Espanha, “uma mudança profunda e resultado da pandemia é que a sociedade entendeu que a solução passa pela ciência”, disse ela à BBC News Mundo.

Os cidadãos, explica, “quiseram saber sobre saúde e ciência, e fizeram-no diretamente com os especialistas. Estes, por sua vez, têm se esforçado para se comunicar melhor, estimulados pela busca por informação de qualidade por parte dos jornalistas e sociedade”.

Jiménez Sarmiento enfatiza que “comunicar ciência não é fácil”: “São conteúdos complexos com uma linguagem segmentada. Os avanços também são lentos e com base em evidências muitas vezes não óbvias, que se modificam quando surgem novas evidências. E isso é difícil de aceitar”.

Por isso, ela acredita que “tem havido um grande avanço mútuo da ciência e da sociedade, porque agora estão mais próximas do que nunca e devem se apoiar”.


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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

A logística de apoio à população da Amazônia no combate à pandemia de Covid-19

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BBC News Brasil

Vista aérea de kits de limpeza sendo entregues em comunidade à beira do rio

Leonardo Milano/Projeto Saúde e Alegria
Para entregar kits de limpeza para comunidades no Rio Arapiuns, é preciso fazer a entrega de barco

Em meio à pandemia de covid-19, o barco hospital Abaré, clínica móvel que faz atendimento ao longo do rio Tapajós, no Pará, estava mais ativo do que nunca.

Em uma das mais recentes viagens, dezenas de pessoas já haviam carregado o barco com toneladas de kits de limpeza que seriam distribuídos para comunidades ribeirinhas e indígenas. Criado pelo projeto Saúde e Alegria, hoje o barco é propriedade da Universidade Federal do Pará, a quem o projeto ajuda na administração do barco.

A tripulação estava a postos para deixar Santarém, mas, por causa da pandemia, faltava uma última medida: toda a tripulação precisava passar por testes rápidos de covid-19, para não correr o risco de levar a doença às comunidades atendidas.

A expectativa era que os testes dessem negativo, já que ninguém tinha sintomas aparentes. Mas, na última hora, o projeto descobriu que, de 11 tripulantes, 8 estavam com coronavírus.

Todos tiveram que desembarcar e ficar em isolamento, enquanto o pessoal do projeto corria para fazer toda a sanitização do barco e dos equipamentos e para encontrar outra equipe para tripular a embarcação e tentar manter a agenda de entregas, conta Caetano Scannavino, coordenador do Saúde e Alegria.

Levar atendimento médico e suprimentos às comunidades ribeirinhas e indígenas ao longo do rio Tapajós, no Pará, já não é uma tarefa fácil em épocas normais. Durante a pandemia de covid-19, o desafio é dobrado.

“Uma das coisas mais desafiantes se tratando de Amazônia e fazer a coisa chegar lá no interior do interior”, diz Scannavino.

Tripulação de barco transfere kits de limpeza e alimento para embarcação menor

Projeto Saúde e Alegria
Barcos grandes não chegam a alguns locais, que só podem ser acessados com lanchas menores

Fazer a distribuição de kits de limpeza sem gerar aglomeração não é fácil. Uma série de protocolos foram estabelecidos, como deixar os suprimentos na entrada das comunidades — com as próprias pessoas do local fazendo a distribuição.

Nas datas combinadas com antecedência, líderes das comunidades ficavam na beira do rio de madrugada esperando o barco chegar.

Um dos principais problemas causados pelo atraso devido à contaminação da equipe é que, sem sinal de celular e internet na região, era impossível avisar algumas das comunidades — o dia amanheceria, as pessoas ficariam esperando, mas o barco não chegaria.

Com o acionamento de muitos contatos e pedidos de ajuda, o projeto conseguiu substituir a tripulação e fazer as entregas, ainda que com atraso.

“Perrengues como esse são a nossa vida”, conta Adriana Pontes, administradora do Saúde e Alegria. “É uma dificuldade muito grande, um desafio para a gente, ter que dar conta de tudo isso. Às vezes são três operações enormes de logística em um dia só.”

‘Areiões’ e baixo nível de água nos rios

Na pandemia, ante o objetivo de levar equipamentos de saúde aos locais mais remotos, onde não há UTIs e há pouca estrutura de saúde, há três principais desafios.

O primeiro é fazer os equipamentos chegarem a grandes centros, como Santarém. Boa parte do material vem de locais como São Paulo (como as cartilhas educativas) e alguns até foram importados. No início da pandemia, quando os voos estavam todos cancelados, essa dificuldade foi ainda maior.

“Contamos com a boa vontade de companhias aéreas como a Gol e de empresas como a Natura, que emprestaram caminhões. Também pegamos carona com o Exército”, conta Scannavino.

O segundo desafio é levar de polos como Santarém para as aldeias e comunidades.

Caminhão para sobre folha colocadas na estrada

Projeto Saúde e Alegria
Para resolver problemas logísticos, é preciso criatividade, como usar folhagem para desatolar caminhões

O Saúde e Alegria a ajudou a montar dois laboratórios remotos em aldeias munduruku e a distribuir 300 equipamentos de suporte à respiração montados a partir de máscaras de mergulho. Onde o transporte normalmente é feito com barcos e pequenas lanchas, levar equipamentos de suporte à respiração e laboratórios inteiros é um trabalho complexo.

A fundação Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que nesta semana lançou uma série de vídeos no YouTube sobre as expedições de prevenção e enfrentamento à covid-19, levou uma série de equipamentos e kits de limpeza e alimentação para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma. São oito horas de viagem de barco para chegar à reserva, mas mesmo de barco o acesso às comunidades não é garantido.

Isso porque no meio do ano, os níveis dos rios na Amazônia estão mais baixos, o que cria um desafio adicional para o transporte, explica Valcléia Solidade, superintendente de Desenvolvimento Sustentável da FAS. Ou seja, para chegar às comunidades mais distantes é preciso transferir tudo para canoas e pequenas lanchas.

E nem tudo é feito por rio. Para chegar à comunidade indígena de Montanha e Mongabal, no oeste do Pará, “são três dias na estrada, e muitas vezes os caminhões atolam no ‘areião’ (bolsões de areia seca)”, conta Adriana Pontes, da Saúde e Alegria. “Em agosto um caminhão ficou horas atolado no meio do caminho”, conta Pontes.

Quando isso acontece, é preciso descer e procurar grandes folhas de árvores e palmeiras que possam ser colocadas embaixo do carros e caminhões para que eles consigam sair.

Se a temporada é de chuvas, a situação não melhora: o que era um areião vira uma poça enorme de lama.

“O terceiro grande desafio, que agora já melhorou, mas foi muito difícil no começo, foi adquirir insumos que começaram a faltar”, conta Scannavino.

Além dos kits de limpeza e alimentação, o projeto de Sacannavino também distribui outros suprimentos necessários em comunidades mais afastadas. Para os índios mundurukus em Jacareacanga, no extremo sudoeste do Pará, eles mandam material de pesca, como varas de pescar. O material vai de caminhão para a cidade de Itaituba, depois de rabeta (lancha pequena com motor) para a comunidade.

Projetos que fornecem esse tipo de equipamento e garantem “soberania” alimentar às comunidades são uma das prioridades de entidades em tempos normais, e durante a pandemia um dos desafios foi manter esse material chegando.

A entidade internacional Amazon Watch, através do fundo Amazon Defenders Fund (ADF), está apoiando justamente projetos assim: que possibilitem à comunidade a compra de materiais de pesca e agricultura, além de doação sementes orgânicas e construção de poços de água. Foram mais de 10 mil indígenas apoiados desde o início da pandemia.

União e apoio mútuo

Para enfrentar as dificuldades logísticas, projetos como o Saúde e Alegria e entidades como os Expedicionários da Saúde e o Greenpeace se unem e se ajudam mutuamente.

“Também mantemos contato e contamos com o apoio dos funcionários da Secretaria de Saúde Indígena que estão na ponta, que estão nas comunidades”, conta Scannavino.

“Tentamos dar um suporte direto ao sistema de saúde. A Amazônia foi o primeiro lugar a colapsar no Brasil por causa da pandemia justamente por falta de estrutura, por necessidade de atendimento acima do que a estrutura comporta.”

Dezenas de grupos com o interesse de ajudar a população da Amazônia em meio à crise de saúde pública — do Saúde e Alegria à entidade internacional Amazon Watch —contaram com o apoio da mesma entidade: os Expedicionários da Saúde.

“Trabalhamos na Amazônia há 17 anos, então já conhecemos todos os agentes, os parceiros locais, líderes comunitários, o pessoal do ISA (Instituto Socio-Ambiental)”, conta Márcia Abdala, da coordenação dos Expedicionários. A instituição médica montou 12 enfermarias de campanha no alto Rio Negro, logo no início da pandemia, com a organização inteira feita a partir da Campinas, no interior de São Paulo.

Homem do povo yanomami com pintura tradicional coloca máscara descartável

Reuters
Os yanomamis em Alto Alegre, em Roraiama, vivem próximos à fronteira em comunidades de difícil acesso

Como o pessoal da ONG em Campinas não podia viajar por causa da pandemia, contou com voluntários para fazer a logística em diversas paradas até o destino final nas comunidades indígenas. As cargas foram para Manaus em aviões da Azul, e também contaram com caronas nos aviões da Força Aérea e do Greenpeace. Depois foram de barcos para São Gabriel da Cachoeira e de lá para as comunidades.

Para treinar os profissionais de saúde locais, gravações de cursos de capacitação foram feitas e colocadas em pendrives — já que muitos locais não contam com internet.

As enfermarias foram entregues completas, com tudo já pensado para cada localidade. “Tem muita dificuldade de acesso, então não adianta mandar o concentrador de oxigênio, que precisa de tomada, se o local não tem energia. A falta de um único prego pode impossibilitar toda uma operação”, conta Abdala. “Então a gente já manda gerador, alicate, fio, tomada, rede, tudo o que vai precisar.”

Os concentradores de oxigênio são essenciais, explica a Amazon Watch, que levou 40 concentradores juntamente com o Greenpeace os Expedicionários da Saúde aos mundurukus. “Esses equipamentos ajudam a amenizar os sintomas mais graves de crises respiratórias, evitando assim que os indígenas se desloquem até os grandes centros e fiquem expostos à contaminação”, diz a Amazon Watch.

É preciso entender a cultura e as necessidades de cada local também. A maioria das comunidades indígenas recebeu redes, mas povos do grupo je (como kaiapós e xavantes) não dormem em redes, então foram enviadas macas.

“A gente já tinha um projeto de logística pronto, e abrimos para todos, que foram se replicando pela Amazônia. É uma parceria de ajuda humanitária”, conta Márcia.


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Fonte: IG SAÚDE

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