
Na noite de segunda-feira, por volta das 21 horas, dona Lígia, uma índia xavante, acendeu uma vela em sua moradia e foi para a praça para tomar ar fresco, pois a Energisa havia cortado o fornecimento na energia elétrica da unidade consumidora por falta de pagamento, porém, pouco tempo depois recebeu a notícia que a sua casa, onde mora de aluguel, estava pegando fogo. Correu para o local, onde já se encontravam centenas de pessoas, porém, não foi possível salvar nada. Camas, geladeira, aparelho de televisão e todos os outros eletrodomésticos e utensílios que guarneciam a residência foram totalmente destruídos pelo fogo.
Ao lado da residência os proprietários dos imóveis que foram destruídos pelo fogo, dona Seila e o empresário Vantuil do Hotel Fazenda Serra do Roncador, foram avisados do incêndio logo no início tendo se dirigido rapidamente para o local e quando lá chegaram souberam que a Policia Militar, Vereador, Prefeito e até uma pessoa do Fórum, haviam telefonado para o Corpo de Bombeiros de Nova Xavantina pedindo socorro, no entanto, a resposta foi de que procurassem uma caminhão pipa na localidade pois não daria tempo para chegar e controlar o fogo.
Segundo dona Seila o caminhão pipa da prefeitura, que não tem mangote para apagar fog e é usado apenas para aguar os canteiros de plantas da cidade, chegou no local mais de uma hora depois da chamada para o Corpo de Bombeiros, e, como o caminhão pipa não tinha estrutura, foram em busca de outro, este pertencente a Cooperativa de Leite, porém, como não são utilizados para o combate a incêndios os mesmos ficam desabastecidos de água e demorou muito para encher o tanque, tendo sido necessário utilizar uma pá-carregadeira para, aos poucos, ir demolindo as paredes.

Móveis das casas vizinhas

Por volta da meia noite e meia o fogo foi controlado, no entanto, por se tratar de um local muito povoado, com construções germinadas, o risco do fogo atingir outros prédios era eminente. "Mais de 300 pessoas ajudaram a controlar o fogo, uns com balde d'água em cima das casas vizinhas, outros com extintores de carros e outros com mangueiras de jardim e muitos ajudando a tirar os móveis das casas vizinhas. Foi uma loucura, um desespero, uma agonia. Saber o o Corpo de Bombeiros não veio atender aumentou o sofrimento e causou revolta em todos na cidade. Estamos abandonados, o Corpo de Bombeiros só serve para cobrar taxas". Disse dona Seila, proprietária dos imóveis destruídos pelo fogo.
O advogado e vereador doutor Rafael foi uma das autoridades que esteve no local e ligou para os Bombeiros e falou a reportagem do site: “Muitos cidadãos mostraram indignação pela negativa de prestação de socorro do Corpo de Bombeiros e relataram que lhes foram informados diferentes motivos pelos quais os Bombeiros não poderiam vir a Campinápolis. Precisamos de explicações formais, algo não está certo. Só neste mês, foram 3 incêndios em residências, além das queimadas rurais próximas à cidade, e não tivemos a presença dos Bombeiros. Buscaremos, pela Câmara Municipal, informações do Comando Estadual sobre a jurisdição, atuação e obrigações do Batalhão do Corpo de Bombeiros de Nova Xavantina. Precisamos saber se podemos contar com essa força de segurança, porque o sentimento de nosso povo está sendo de que somos esquecidos e sozinhos.” Disse Rafael.
O Vereador postou um desabafo em sua página do Facebook:
O Comando do Corpo de Bombeiros de Nova Xavantina, respondendo a questionamento do portal de notícias O Roncador, publicou uma Nota de Esclarecimento alegando que a 4ª Cia tem é responsável pela maior extensão territorial , indo até vila Rica, sendo todas as cidades distantes, e, em que pese Campinápolis ser a mais próxima, não tem como atender a incêndios residenciais em razão da rápida propagação do fogo e que para chegar ao local iria gastar em média uma hora e quando lá chegasse o fogo já teria consumido tudo.