Araguaia Notícia

O homem, que seria marido da vítima, disse à médica que a mulher teria tido um infarto na fazenda onde o casal mora, na zona rural de Paranatinga, a 411 km da capital e, distante 281 km de Nova Ubiratã, onde o marido buscava atendimento para a mulher.
A médica foi até o carro e constatou que a mulher estava morta, porém, não teve certeza de que seria vítima de infarto, porém, não havia marcas de violência ou traumas.
"Não pude atestar a morte por várias questões: ela já estava em óbito, não era moradora do município e não estava sendo transportada em veículo de socorro, não tinha como levá-la para dentro da unidade. Pedi que ele procurasse a delegacia", relatou.
Segundo a médica, isso ocorreu às 5h30 de terça-feira. Após as 14h, quando ela ainda estava de plantão, o policial chegou na pronto-atendimento dizendo que ela deveria ir à delegacia para assinar o documento de óbito a mando do delegado ou ela seria presa por prevaricação.
No entanto, o delegado alega que antes já havia conversado com ela por telefone. Inclusive ele teria ligado para o secretário de Saúde do município para relatar a situação.
"Ela poderia te dito no laudo que a morte era suspeita, não precisa atacar a versão de infarto", disse.
As denúncias contra o delegado foram registradas no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Ministério Público Estadual (MPE).
Ação inadequada
O procurador da Prefeitura de Nova Ubiratã, R.F., afirmou a ação foi inadequada e expôs a médica e os demais funcionários da unidade de saúde. Ele questiona ainda que, depois que o laudo foi assinado, não foi feito boletim de ocorrência, nem contra a médica, nem sobre a morte da mulher.
Tanto o procurador quanto a médica questionam o por quê de o marido acompanhado de um motorista da fazenda viajariam mais de 6 horas com a mulher em óbito até Nova Ubiratã se poderiam ter se dirigido ao pronto-socorro de Paranatinga que, supostamente, seria mais perto do local da morte.